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Sem êxito, casal já gastou R$ 80 mil para ter filho e diz: “Não vou desistir”

Sem apoio do governo e dos convênios, mulheres inférteis lutam para conseguir engravidar 

Saúde|Fabiana Grillo, do R7

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Fabíola e Ricardo já gastaram R$ 80 mil em tentativas de gravidez
Fabíola e Ricardo já gastaram R$ 80 mil em tentativas de gravidez

Assim como a maioria das mulheres, a contadora Fabíola Rocha, 36 anos, sonha em ser mãe. O problema é que ela não vai conseguir realizar o desejo da maternidade da forma natural. Fabíola tem endometriose, diagnosticada em 2010 — ano que começou a tentar engravidar. De lá para cá, ela já passou por quatro cirurgias para tratar a doença e foi submetida a cinco fertilizações in vitro. 

— Já gastei cerca de R$ 80 mil e não vou desistir, mesmo com o descaso da rede pública e do plano de saúde.


A primeira tentativa de fertilização in vitro aconteceu em dezembro de 2011, logo depois da cirurgia para tratar a endometriose. Na época, ela tentou agendar uma consulta pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, mas não obteve sucesso. 

— Era impossível falar com alguém no telefone disponível, assim como pessoalmente. Como o convênio não cobre isso, a alternativa foi recorrer ao procedimento particular, que depois de muito pesquisar, consegui pagar R$ 8.000 parcelado.


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No total, foram cinco tentativas bancadas do próprio bolso sem êxito. No intervalo entre uma e outra, Fabíola passava por uma cirurgia para “corrigir” novos problemas diagnosticados por causa da endometriose e facilitar a fecundação. As duas primeiras foram cobertas totalmente pelo convênio, já as seguintes foram feitas por meio de reembolso.


— O médico deixou de atender o plano para fazer a cirurgia e me cobrou R$ 16 mil, só que o convênio devolveu apenas R$ 6.000, tive que bancar o restante.

Casal que não engravida em até 1 ano após 1ª tentativa pode ser infértil


Agora, ela e o marido Ricardo de Lara, 40 anos, estão economizando cada centavo para pagar a sexta fertilização. Antes disso, Fabíola precisa fazer exames específicos para investigar os motivos das falhas na implantação embrionária, no entanto ela também não pode contar com o convênio.

— Esses exames não constam no rol de procedimentos da ANS [Agência Nacional de Saúde]. Mas, como meu maior sonho é ser mãe, cortei tudo o que é supérfluo da minha vida, carro, viagens e férias, para conseguir pagar mais uma vez o procedimento até o final deste ano.

O casal já pensou em entrar na Justiça para obrigar o plano de saúde a cobrir o tratamento, mas “desistimos porque teríamos que pagar o advogado e gastar as nossas economias”.

— Dia das Mães, dos Pais e das Crianças é uma verdadeira tortura para mim. Já cheguei a sugerir ao meu marido que procurasse outra mulher para ter filhos. A infertilidade criou um buraco em mim que ninguém é capaz de fechar.

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Também portadora de endometriose, a dona de casa Gisele Santos Aguiar, 31 anos, está na fila do SUS há um ano e cinco meses para realizar a fertilização in vitro. Mesmo sem receber qualquer previsão do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para ser chamada, Gisele e o marido Diego Aguiar, 32 anos, de Olímpia, interior de São Paulo (SP), não perdem a esperança de ter o primeiro filho.

— Já pensamos em vender tudo para pagar a fertilização in vitro, mas não temos condições de desembolsar R$ 15 mil. Vou continuar na fila, pelo menos para tentar uma única vez.

Acupuntura dobra taxas de fertilização em mulheres

Por causa da endometriose, Gisele passou por uma cirurgia para retirar uma trompa e um ovário, o que despencou sua chance de engravidar naturalmente para 20%. Segundo ela, a médica explicou que a única maneira de realizar esse sonho é pela fertilização in vitro.

— A gente vai continuar lutando para conseguir, mas também pretendo entrar com a papelada de adoção ainda este ano.

Por causa de câncer, Amanda Santos congelou os óvulos
Por causa de câncer, Amanda Santos congelou os óvulos

Há quatro meses a engenheira Amanda Vieira Santos, 24 anos, diagnosticou linfoma de Hodgkin — forma de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático. Além de se preocupar com os desafios do tratamento da doença, a jovem precisou correr atrás de clínicas de reprodução assistida que tivesse valores acessíveis para congelar seus óvulos. Isso porque a quimioterapia pode prejudicar a fertilidade da mulher com câncer e, consequentemente, acabar com o sonho da maternidade.

— Eu tinha pouco tempo para realizar o procedimento porque precisava começar a quimio urgente, então fui obrigada a pagar, já que o convênio não cobre isso e no SUS tudo é muito demorado.

Por sorte, Amanda encontrou uma clínica particular que cobrou R$ 6.500 (este valor pode chegar ao dobro ou mais) e a cada seis meses desembolsa R$ 400 para manter os 13 óvulos congelados.

— Caso minha fertilidade fique prejudicada, vou precisar pagar tudo de novo para implantar os óvulos por meio da fertilização in vitro. Claro que o fato de tê-los congelado gera uma ansiedade grande e a vontade de ser mãe mais cedo.

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