Entenda como a internet tem atuado para diminuir o efeito estufa
Iniciativa do Site Sustentável “anula” o gás carbônico liberado por grandes sites
Tecnologia e Ciência|Do R7*

O problema do aquecimento global causado pelo efeito estufa já não é novidade para ninguém hoje em dia. Estudos comprovaram que a emissão do gás carbônico (CO2) na atmosfera traz não só problemas para a Terra, mas também para a própria sociedade.
Apesar dos grandes vilões por trás da emissão de CO2 serem as grandes empresas, fábricas e carros, pessoas comuns também podem estar piorando esse quadro, mesmo sem saber. Uma das coisas que parecem inofensivas, mas podem prejudicar o meio ambiente, é navegar na internet e armazenar arquivos na nuvem.
De acordo com informações divulgadas pelo The Telegraph, uma pesquisa comum no Google gera a emissão de 7g de dióxido de carbono. Enquanto isso, ferver água em uma chaleira produz 15 g. Além disso, cada segundo navegando em um site cria uma média de 0.2g de CO2.
Foguete movido a fezes pode trazer astronautas de volta a Terra em missão na Lua
Com o maior acesso da população mundial à internet, a tendência é que a emissão de gás carbônico suba ainda mais, mesmo que os internautas não saibam que esses tipos de atos também podem prejudicar o meio ambiente.
O doutor em ecologia Luiz Rogério Mantelli afirma que atualmente quase qualquer coisa pode emitir poluentes na natureza.
— Qualquer tipo de ato, na internet ou não, pode gerar uma emissão de gás carbônico na atmosfera. O importante é que nós tentemos sempre optar por aquilo que prejudique em menor escala o meio ambiente.
Um estudo recente realizado pelos pesquisadores do Greenpeace chamado How Clean is Your Cloud? prova que a computação em nuvem é tão prejudicial quanto o armazenamento de dados em mídias físicas, como DVDs e discos rígidos.
A construção de datacenters, locais em que esses dados ficam guardados – ou seja, a verdadeira “nuvem” – pode gerar uma enorme quantidade de gás carbônico. De acordo com o estudo, alguns datacenters usam a mesma energia necessária para abastecer 250 mil residências europeias. Se a nuvem fosse considerada um país, ela seria o quinto maior consumidor de eletricidade no mundo.
Além disso, Mantelli afirma que o uso do ar condicionado nestes ambientes pode ser considerado um vilão.
— Por causa da enorme quantidade de computadores presentes nos datacenters, o ambiente precisa estar sempre bastante refrigerado. Para isso, as empresas utilizam muitos aparelhos de ar condicionado, que também emitem gás carbônico na atmosfera.
As grandes empresas responsáveis pela emissão de gases carbônicos, como Google, Facebook e Yahoo, por exemplo, têm se mobilizado para reverter essa situação, com soluções para a compactação de dados, parcerias com empresas que realizem reflorestamento e reciclagem, conscientização dos funcionários, entre outros. Mesmo assim, ainda existe muito trabalho a ser feito, principalmente no Brasil. De acordo com o ecologista, a legislação brasileira precisa ser repaginada nesse aspecto.
— A legislação ambiental do País precisa ser aperfeiçoada para que as empresas nacionais passem a tomar atitudes para anular as ações prejudiciais que elas causam na natureza. Nesse sentido, no exterior essas leis são mais claras e por isso que grandes empresas realmente tomam atitudes para contornar isso.

Pequenas empresas
Mesmo que o cerne do problema esteja nas grandes empresas de tecnologia, sites menores, como os de varejo, já podem contar com uma solução para as emissões de carbono que eles emitem na atmosfera por causa dos acessos que recebem.
Ciência tenta explicar por que ninguém consegue levantar o martelo de Thor
O projeto Site Sustentável, por exemplo, calcula a quantidade de acessos que os sites possuem e planta uma quantidade de árvores que possa consumir o mesmo nível de gás carbônico emitido pelos sites.
Eduardo Macedo, CEO do Site Sustentável, explica que o cálculo da quantidade de árvores a serem plantadas não é tão simples assim.
— Baseado no tráfego do site, nós mesmos fazemos o cálculo da emissão de carbono e energia consumida com a ajuda de dois doutores da USP. A partir disso, calculamos quantas árvores devem ser plantadas para que o site se torne sustentável.
Eduardo destaca que o selo de sustentabilidade só é fornecido quando a empresa “anula” toda a quantidade de gás carbônico liberada por ela. Caso a empresa opte compensar apenas metade do que é emitido, não é dado o selo.
Além disso, o site permite que os próprios internautas vejam fotos das mudas plantadas, com identificação da empresa que está participando da iniciativa, e a localização dessas árvores no Google Maps.
— O plantio é sempre feito na mata nativa, com problemas de desmatamento. É uma área em que o produtor rural não pode desmatar nem plantar nada em cima porque é proibido por lei. Nós também temos uma preocupação com biodiversidade: trabalhos com mais de 70 espécies de árvores.
Até o momento, já foram plantadas aproximadamente 15 mil árvores com 600 empresas participando do projeto.
Mudanças
Caso você não trabalhe em uma empresa gigante da internet, nem tenha um negócio online, ainda é possível ajudar com a diminuição da emissão de gás carbônico na atmosfera com algumas mudanças de hábitos como internauta.
Eduardo recomenda que os usuários optem por adquirir produtos em sites que contenham o selo de sustentabilidade e sempre buscar por empresas que possuam planos de compensação de emissão de gás carbônico.
Conheça o ser vivo que ocupa espaço de 9 milhões de m²
Já Luiz Rogério Mantelli acredita que o usuário deve se preocupar na hora da compra.
— Adquirir produtos que gastam menos energia e que durem mais já ajuda muito a natureza. Com isso, é possível economizar e também evitar o desperdício.
* Colaborou Isabella Santoro, estagiária do R7














