Facebook contribui para intolerância religiosa em Mianmar
ONU diz haver relação entre a violência contra muçulmanos e o discurso de ódio publicado por ultranacionalistas na rede social
Tecnologia e Ciência|Pablo Marques, do R7

O Facebook é usado para espalhar discursos de ódio e está impulsionado a violência contra minorias em Mianmar, segundo investigação realizada pela ONU. As informações foram publicadas pelo jornal britânico The Guardian.
A minoria muçulmana, os rohingyas, sofre forte perseguição por intolerância religiosa, desde agosto de 2017. As forças armadas do país são suspeitas de praticar assassinatos e estupros contra essa população. Mais de 650 mil pessoas fugiram para Bangladesh para escapar da violência.

Na semana passada, Zeid Ra’ad al-Hussein, alto comissário da ONU para os direitos humanos alertou para "atos de genocídio" cometidos no país.
Yanghee Lee, uma das responsáveis pela investigação da ONU, afirma que a rede social é uma parte importante da vida pública, civil e privada em Mianmar. O uso também é frequente pelo governo local que divulga informes à população. Porém, os budistas ultranacionalistas estariam usando esse espaço para incitar a violência.
“Eu tenho medo que o Facebook tenha se transformado em um monstro e não tenha mais a função para a qual foi desenvolvido originalmente”, disse Lee
De acordo com Marzuki Darusman, funcionário da ONU em missão no país asiático, "A mídia social contribuiu substancialmente para o nível de rudeza, discórdia e conflito entre a população. O discurso de ódio faz parte disso com certeza. Até porque, em Myanmar, a mídia social é o Facebook e o Facebook é a mídia social".
A empresa respondeu que está combatendo o conteúdo de ódio. Além de excluir os posts, os usuários podem ser punidos com a conta suspensa temporariamente e até ter o perfil removido definitivamente.















