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O Google está a um passo de se tornar a nova Apple. Entenda

Experiência fechada e produtos de ponta igualam empresa com concorrente

Tecnologia e Ciência|Filipe Siqueira, do R7

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Já viu esse design arrojado e branco em algum lugar?
Já viu esse design arrojado e branco em algum lugar?

Você pode não lembrar, mas o Android em seus primórdios era muito feio. A versão 2.3 Gingerbread tinha luzes coloridas em movimento, caixas grandes e de todas as cores possíveis e fora lançada em 2010. Parecia uma velharia dos anos 90 que algum designer deixou escapar.

Era normal, detalhe de sistema em crescimento. Em contraste, a Apple e seu iOS nadavam de braçada no mercado: a companhia vendia milhões e milhões de smartphones e o programa ainda era um primor de visual. Os dois lados pareciam bem estabelecidos: um deles, com o Google. iria equipar celulares de segunda com seu Android, com aparência de xing ling chinês; e, do outro, a Apple estaria nas mãos de quem desejava uma experiência única, com o preço que isso exigia.


Mas o Google é uma empresa extremamente paciente e, apesar de vários tiros no escuro (Google Glass), não deixa a peteca cair quando se trata de seus negócios principais. Já na versão 5.0 Lollipop, de novembro de 2014, o Google parecia pronto a disputar em pé de igualdade com a Apple e seu iOS e contou com a ajuda fundamental do Galaxy S5 para consolidar seu sucesso. Uma virada e tanto.

Corta para o evento do Google desse 4 de outubro. Estamos diante de um outro Google, que evoluiu em acelerado, uma evolução tão natural que mal conseguimos perceber. O Pixel 2 não deve em nada ao iPhone 8 (em diversos aspectos, é um celular superior), o Android Nougat e o futuro Oreo também está no mesmo nível dos iOS 11 e a empresa parece ter uma direção clara e o grande ponto de virada é esse momento.


Agora que o Android é soberano e equipe bilhões de dispositivos pelo mundo, o Google quer torná-lo onipresente. Assistentes pessoais e caseiros, notebooks de mil dólares, especificações substituídas por frases de efeito — a do momento é “Radicalmente Útil”, um casamento perfeito entre inteligência artificial e facilidade de uso pelos clientes.

Evento do Google em 4 de setembro último: Pixel 2 não deve em nada ao iPhone 8 (em diversos aspectos, é um celular superior)
Evento do Google em 4 de setembro último: Pixel 2 não deve em nada ao iPhone 8 (em diversos aspectos, é um celular superior)

Se esse não é o Google que a gente conhecia, aquele que dependia das vendas dos novos Galaxy e hoje divulga a marca #madebygoogle, é porque ele se parece cada vez mais com a Apple, em um certo sentido.


O que diferencia as duas empresas é o quanto a experiência oferecida pelas duas é aberta. A Apple é um cercadinho, pronta para deixar todos os usuários que decidem morar ali dentro felizes. Os produtos são caros, mas poucos estão insatisfeitos com ele pela experiência oferecida ser completa. O Google oferece uma experiência mais aberta, onde a diversidade é importante. É por isso que aparelhos de grandes fabricantes conseguem brilhar.

Mas toda a megalomania que o Android exigia em recursos (celulares de 8GB, telas de 7 polegadas, processadores com núcleos a perder de vista, telas 4K) agora perdeu a importância. Analise o Pixel, veja como o Google o divulgou. Ele tem 4GB de RAM, o mesmo que um iPhone 8 e um poderoso processador Snapdragon 835. É o poder sem megalomania. A ideia é clara: se você quer um topo de linha, sua grande opção é o Pixel 2.


O #madebygoogle não se preocupa tanto com especificações, mas com o poder contido na experiência do usuário. A melhor câmera do mercado, espaço infinito para suas fotos em altíssima resolução, assistente da empresa, integração com o Google Home.

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Porque o usuário mudou e sabe que apenas números não são mais a grande diferença. É para esse tipo de usuário que o Google mira e mostra qual é o futuro de sua plataforma. Meio mundo ainda está decepcionado com a empresa por toda essa experiência por ela existir apenas em alguns países (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Japão, Austrália e Índia, em parte), mas lembre-se mais uma vez da aparência do Google 3.0 e repare no salto evolutivo para o 5.0 ou 6.0. Não deve demorar para um bocado de mais países receberem o mesmo tipo de funcionalidade.

Se nada disso lhe convenceu ainda, veja a imagem que abriu esse texto, a última da apresentação. É a família Google, pronta para dominar todos os aspectos da sua rotina, pronta para conhecer a voz de seus filhos, acordá-los para ir à escola, proteger sua casa com dispositivos inteligentes.

Esse é o novo Google. E ele orgulhosamente oferece uma filosofia mais parecida com a Apple, do que a própria Apple oferece no momento.

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