ONG alerta para abuso na exploração do Cerrado
Segundo maior bioma do país, o Cerrado é uma fonte de riquezas naturais pouco conhecida pelos brasileiros
Tecnologia e Ciência|Do R7

O Cerrado é um bioma brasileiro que conta com grande diversidade de fauna e flora. É o segundo maior do país, atrás apenas da Floresta Amazônica. Mas apesar da sua importância, ele está sob ameaça. Sem o devido reconhecimento como patrimônio nacional e uma lei de uso sustentável, a vegetação nativa perde cada vez mais espaço para o agronegócio, que já ocupa pelo menos 50% do bioma. Esse cenário afeta não só a biodiversidade, como também os povos e comunidades tradicionais que vivem na região.
Nesta sexta-feira (11) foi comemorado o Dia Nacional do Cerrado para promover discussão acerca do tema da devastação do meio ambiente. Para ajudar na conscientização, o WWF-Brasil desenvolveu alguns infográficos. Confira aqui.
Enquanto mais de 100 milhões de hectares da cobertura vegetal do Cerrado (o mesmo que toda a área da Europa ocidental) já foram perdidos para o agronegócio, em sua maioria para as plantações de soja, cana, eucalipto, algodão e a pecuária extensiva, há centenas de anos, os povos do Cerrado coletam espécies nativas para se alimentar, vender e/ou processar, complementando sua renda com a prática do extrativismo.
Indígenas, quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco e agricultores familiares têm com a terra e seus recursos uma relação de sobrevivência mútua: vivem em seus territórios, coletando o que a natureza oferece e ajudando a conservar o bioma.
Segundo Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, essa riqueza deve ser utilizada.
— Tanta riqueza pode e deve ser usada. Um lugar que tem mais de 11 mil espécies vegetais dentre elas, diversas árvores frutíferas, como o pequi, o babaçu e o baru, entre muitas outras, tem um gigantesco potencial econômico de uso dos seus recursos naturais.

Para se ter uma ideia dessa possibilidade, um estudo sobre avaliação do estoque de frutos do Cerrado, realizado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), quantifica que no bioma ocorrem em média 65 árvores de pequi, 76 de baru e 27 de babaçu por cada hectare (área de 10.000 m2). Se o Cerrado possui aproximadamente 200 milhões de hectares de área em território brasileiro, estima-se que ainda existem aproximadamente 36 milhões de hectares cobertos por pequi, 35 milhões de baru, 58 milhões de babaçu, considerando as sobreposições. Levando em consideração um aproveitamento de 50% dos recursos de cada espécie, a renda potencial por hectare é de R$ 4.551,39 para o pequi, R$ 1.431,93 para o babaçu e R$ 6.602,50 para o baru.
Segundo Sampaio, já existem iniciativas para estimular a produção em larga escala dos produtos, mas há muitos empecilhos.
— As plantas e frutos do Cerrado são valiosos. Se começarmos a nos interessar por eles, fomentaremos as cadeias produtivas. Isso beneficiará não só as comunidades com a geração de renda para indígenas, quilombolas e pequenos agricultores familiares, mas também a preservação do bioma. É uma forma de consumo saudável e socioambientalmente correta.














