Sem medo do dólar, chineses, americanos e vietnamitas vêm ao Brasil para ampliar negócios com padarias
Aumento do consumo atrai estrangeiros e torna País a porta de entrada na América do Sul
Economia|Raphael Hakime, do R7

Eles não falam uma palavra em português, não conhecem o mercado brasileiro a fundo nem estão preocupados com a valorização do dólar em relação ao real. Mesmo assim, empresas chinesas, americanas, holandesas e até do Vietnã estão dispostas a investir no mercado brasileiro de panificação.
Com o empurrão da crise econômica na Europa, os estrangeiros atravessam o Atlântico e desembarcam no País para vender máquinas, insumos e tecnologia para os empresários brasileiros do setor.
A empresária vietnamita Vu Thi Hoai Son levou quase 24 horas de voo da cidade de Ho Chin Mihn City, que fica sul do País e a 1.800 km da capital Hanói, até São Paulo. Assim como outros asiáticos, Son desembarcou pela primeira vez na América do Sul para participar da Fipan — a principal feira de panificação da América Latina — e apresentar ao mercado brasileiro os cremes para decoração de bolos que a Tan Nhat Huong, empresa da qual é diretora geral, produz.
— É a nossa primeira vez no Brasil e estamos esperando muito do mercado sul-americano. Queremos nos instalar no Brasil, onde o mercado está em pleno crescimento e nosso produto tem potencial porque é de boa qualidade.
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As caixas de massas para confeitaria que Son traz ao Brasil precisam pagar tributos, como o de Imposto de Importação, e são negociados em dólar, cujo preço decolou nos últimos dois meses – atualmente, custa R$ 2,25. No entanto, nem impostos nem a escalada da moeda americana preocupam a empresa vietnamita.
— Apesar da escalada do dólar, temos um preço competitivo, o que nos deixa um pouco mais tranquilos. Além disso, no Vietnã, temos uma boa política do governo para expansão internacional dos negócios.
Os chineses também apostam no mercado brasileiro de panificação. Tony Zhang, diretor geral regional da América Latina da Angel, empresa chinesa que produz fermento em Yichang, a 1.300 km da capital Pequim, vende para o mercado brasileiro desde 2003 e prevê aumento e 10% nos negócios em 2013.
— Apesar da forte concorrência que encontramos por aqui e do custo-Brasil, conseguimos colocar nosso produto com um bom preço por aqui.

Especializada na produção de uma massa para decoração de bolos e tortas, a Satin Ice, que fica em Nova York, nos Estados Unidos, domina o mercado mexicano e já vende na Europa e Austrália.
Esta é a primeira vez que expõe os produtos na Fipan e o objetivo é apresentar o produto para os brasileiros, diz a mexicana Mary Carmen Del Rio, representante da empresa.
— Consideramos que Brasil tem muito talento nas obras de arte que a população faz com pastéis. A porta de entrada na América do Sul é o Brasil porque o mercado cria modas, instala vanguardas e tem muita gente que se dedica ao nosso segmento, que é a decoração de bolos.
Sobre o preço do dólar, Mary Carmen diz que o valor não assusta, mas prefere não arriscar porque a empresa americana contratou um especialista em importação para tratar do assunto no Brasil.
— Até onde eu sei, o preço não é nada elevado, mas não posso falar com segurança de preços porque virá uma pessoa especializada em preços para determinar quanto vamos cobrar pelos nossos produtos por aqui.
De olho em reduzir os custos com as tarifas de importação, diminuir os impactos do dólar e baratear o produto para os brasileiros, algumas empresas já estão instalando suas fábricas no País, explica o presidente do Sindipan (Sindicato das Indústrias de Panificação de Sâo Paulo), Antero José Pereira.
— Os estrangeiros estão trazendo produtos e máquinas para mostrar na feira, mas não tenha dúvida de que eles querem instalar filiais aqui. Três empresas portuguesas já têm fábrica aqui, montando equipamentos e fabricando ingredientes. Temos uma outra alemã fazendo uma parceria com uma nacional para apalpar o mercado e ver se o mercado está propício para eles.

Mercado de luxo
A empresa holandesa Quadro Bakery também atravessou o oceano para negociar máquinas para a produção de pães, pizzas e biscoitos e prestar consultoria a empresários brasileiros dispostos a investir no segmento de luxo da panificação.
O gerente geral da empresa, Wim van Dongen, explica que “a economia brasileira está boa e há um mercado de luxo em pleno crescimento”. Nem mesmo a alta do dólar abala o otimismo do empresário holandês.
— A qualidade tem seu preço e oferece um retorno [ao empresário]. Mesmo em um mercado em que tem muita competição, o dólar não será um problema porque achamos que as pessoas vão comprar os produtos de luxo de qualquer forma. Essa parcela da população sempre terá dinheiro suficiente para isso.
Serviço
Fipan - Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Varejo Independente de Alimentos
Quando - de 22 e 25 de julho
Horários - das 13h às 21 horas (no dia 25, encerra-se às 19h)
Endereço - Expo Center Norte. Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme - São Paulo
Mais informações - http://www.fipan.com.br/fipan2013/












