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SIM NÃO

Internacional

2/4/2013 às 00h30

A liberação de facas em voos

Terroristas do 11 de setembro usaram meros estiletes, bem menores que as lâminas que agora serão permitidas, para sequestrarem os aviões

Comissários e policiais de bordo, executivos de linhas aéreas, pilotos e membros da Administração de Segurança dos Transportes se opõem à decisão de permitir que passageiros portem facas de até seis centímetros a partir do mês que vem PRNewsFoto/Aviation Partners Boeing

Em abril de 2012, em um voo da US Airways de Los Angeles para Phoenix, um passageiro de repente bloqueou o corredor e tentou atingir um comissário de bordo com o carrinho de bebidas, enquanto gritava ameaças contra a vida de todos a bordo. Ele foi dominado com a ajuda dos passageiros, vários dos quais tiveram de ficar sentados sobre ele durante todo o voo. Ele foi preso no desembarque.

Inúmeros casos como esses são os motivos pelos quais comissários e policiais de bordo, executivos de linhas aéreas, pilotos e membros da A.S.T. (Administração de Segurança dos Transportes) – os homens e mulheres que trabalham na aviação, nos aeroportos e nas aeronaves todos os dias – se opõem à decisão da A.S.T. de permitir que passageiros portem facas de até seis centímetros a partir do mês que vem.

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Em depoimento no Congresso há duas semanas, John S. Pistole, o administrador da A.S.T., declarou: "Uma pequena faca de bolso simplesmente não resultará na falha catastrófica de uma aeronave".

Nem é preciso dizer que os eventos que levaram ao ataque mais mortal em solo americano nos revelam que essa declaração é inadequada – os terroristas do 11 de setembro usaram meros estiletes, bem menores que as lâminas que agora serão permitidas, para sequestrarem os aviões (em uma estranha distorção da lógica, a proibição dos estiletes permanecerá, porque a A.S.T. sente que ainda há "muita emoção" ligada a essa ferramenta em particular).

Não foi necessário o ataque de 11 de setembro para convencer os profissionais do setor de que facas de todos os tamanhos deviam ser proibidas. Em 2000, um passageiro da Alaska Airlines, que mais tarde descobriu-se sofrer de uma rara reação à encefalite e de posse de uma faca de seis centímetros, se enfureceu e atacou os comissários de bordo, quebrou a porta da cabine de controle e tentou destruir a aeronave antes de ser detido por passageiros e tripulantes.

Embora as portas das cabines de controle agora sejam reforçadas e praticamente intransponíveis, a desordem na cabine de passageiros provocada por alguém descontrolado com uma faca ainda assim ocorreria. Meus colegas comissários de bordo e eu enfrentamos passageiros potencialmente violentos todos os dias, passageiros com raiva, deprimidos, embriagados ou apavorados, enquanto viajamos em tubos de alumínio a quilômetros acima do chão.

 

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Justamente no mês passado, enquanto um voo da Delta Air Lines de Minneapolis para Atlanta começava sua descida final, um menino de dois anos no colo da mãe começou a chorar devido à mudança de pressão na aeronave. Enquanto a mãe do menino tentava acalmá-lo, o homem no assento perto deles supostamente fez uma ofensa racial e disse para a mãe "calar a boca" do filho, depois virou e bateu na criança com a mão aberta. O homem foi preso no desembarque e acusado de agressão.

É nossa função lidar com tais passageiros, acalmar a situação e, quando necessário, convocar outros passageiros para ajudar a conter o problema. Os cenários já são esmagadores: e se tivermos múltiplos passageiros desordeiros? E se estiverem trabalhando em conjunto? E se um passageiro tentando ajudar se machucar e instintivamente revidar?

Essas não são situações hipotéticas; todas elas já aconteceram, e a experiência nos diz que as enfrentaremos novamente cedo ou tarde. A liberação de facas de seis centímetros nesses cenários nos torna mais vulneráveis.

E existe algo cínico na posição da A.S.T. de que as facas não "resultarão na falha catastrófica de uma aeronave". Isso significa que qualquer outra coisa – a morte ou o ferimento grave de um comissário de bordo ou de um passageiro, por exemplo – é aceitável?

A A.S.T. argumenta que relaxar a proibição meramente equipararia a política de segurança da aviação americana com a da Europa, da Ásia e da África. Mas essas regiões dificilmente são exemplos de segurança: afinal, tanto Richard C. Reid, que tentou sem sucesso detonar uma bomba em seu sapato num voo transatlântico em 2001, quanto Umar Farouk Abdulmutallab, que carregava uma bomba nas roupas de baixo em um voo de Amsterdam para Detroit em 2009, começaram a missão na Europa.

Além disso, após aprender da maneira mais terrível o que a menor lâmina pode fazer dentro de um avião, por que iríamos querer baixar a guarda? Em parte por esse motivo, os Estados Unidos são líderes mundiais em segurança da aviação.

Para mim e para muitas outras pessoas, esta questão é visceral. Ainda sofremos com a perda de amigos no ataque de 11 de setembro de 2001. Hoje, falando como esposa, como mãe e como profissional de aviação, essa é uma experiência que não precisamos correr o risco de repetir.

(Sara Nelson é a vice-presidente internacional da Associação de Comissários de Bordo – CWA.)

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