Atentado em Bogotá é uma tentativa de "melar" acordos de paz na Colômbia, diz professor

Ataque atribuído a grupo ligado ao ELN pelo governo deixou três pessoas mortas e 11 feridas

Guarda isola área onde bomba explodiu e matou três pessoas em Bogotá
Guarda isola área onde bomba explodiu e matou três pessoas em Bogotá REUTERS

Um ataque terrorista à bomba deixou três pessoas mortas e feriu outras 11 em Bogotá, no último sábado (17), em meio a um acordo de paz que o governo tenta estabelecer com o segundo maior grupo guerrilheiro do país, o ELN (Exército de Libertação Nacional). As autoridades ainda estão investigando quem é o responsável pelo ataque, mas veículos da imprensa colombiana — citando fontes do governo — cogitaram a possibilidade de que ele possa ter sido feito pelo MRP (Movimento Revolucionário Popular), grupo ligado ao ELN. 

Segundo o professor Dennis Oliveira, coordenador do Centro de Estudos Latinoamericanos de Cultura e Comunicação e docente do programa de pós-graduação em Integração da América Latina, o atentado é uma tentiva de "melar" qualquer chance de pacificação na Colômbia por conectar a violência com os movimentos sociais que pedem acordos de paz.

— Fica muito nítida a tentativa [do governo] de "melar" o acordo de paz que está sendo negociado entre o governo colombiano e ao ELN. Quando há essa conexão, você acaba gerando na opinião pública um sentimento desfavorável, contrário a qualquer tipo de projeto de pacificação.

O ataque foi realizado no shopping Centro Comercial Andino, na capital colombiana, onde um explosivo foi detonado dentro de um banheiro feminino, e, de acordo Oliveira, que está na Colômbia para desenvolver trabalhos de pesquisa com as universidades locais, o problema é que esse é um discurso que favorece a intolerância na população.

— Vai se estabelecendo, inclusive pela imprensa local da Colômbia, uma ideia de que todos os movimentos sociais e partidos progressistas de esquerda têm vínculos com a guerrilha e com o terrorismo. Isso dificulta bastante a construção de alternativas aqui na Colômbia.

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Nos últimos anos, a Colômbia vive uma intensa crise que ocorre, principalmente, pela dependência que o país tem o petróleo, de modo que a queda dos preços tem afetado toda a economia, além também sofrer com questões como a proivatização da reforma da previdência, desregulamentação do trabalho.

— Isso tem aumentado o desemprego e a miserabilidade da população. Andando pelas ruas de Bogotá, você percebe muitas pessoas pedindo esmolas, pedindo dinheiro nas ruas, há muita gente dependente de drogas. Não há uma política ou intenção do governo atual de estabelecer políticas públicas ou de aumentar os gastos sociais. Pelo contrário, a tendência é sempre cortar gastos, o que é clássico da política ortodoxa.

Vítimas

O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, confirmou a morte de uma francesa identificada como Julie Huynh, de 23 anos. A jovem chegou à Colômbia para "prestar serviço social em uma escola em um setor popular de Bogotá por seis meses", disse Penalosa.

Testemunhas disseram que foram retiradas dos cinemas e das lojas depois de uma explosão em um banheiro no segundo andar. Os feridos foram levados para um hospital.

Peñalosa classificou o incidente como um "atentado terrorista covarde". Segundo ele, Julie trabalhava há seis meses na Colômbia trabalhando como voluntária em um bairro pobre.

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Também foram confirmadas as mortes de Ana María Gutiérrez, de 27 anos, e Lady Paola Jaimes Ovalle, de 31, "em consequência das lesões sofridas".

No ano passado, o governo colombiano chegou a um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que era muito maior do que o ELN. O ELN também está envolvido em negociações de paz, mas até agora se recusa a entregar suas armas.

*Caíque Alencar, do R7