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Controlados por aiatolá, iranianos vão às urnas para trazer país de volta aos trilhos

Segundo especialistas, o Conselho Supremo do Irã quer evitar o cenário de incertezas de 2009 e retomar prestígio internacional

Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

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Iranianos passam em frente a um dos vários cartazes com a imagem do líder supremo Ali Khamenei espalhados pelo país
Iranianos passam em frente a um dos vários cartazes com a imagem do líder supremo Ali Khamenei espalhados pelo país

A eleição presidencial iraniana começa nesta sexta-feira (14) sob os olhos atentos do chefe de Estado do país, o líder supremo Ali Khamenei. De acordo com especialistas entrevistados pelo R7, o processo político está sendo controlado pelo Estado para evitar o cenário de incerteza testemunhado na última votação nacional, em 2009. Na ocasião, o Movimento Verde - na figura do candidato Hussein Mussavi - ameaçou os interesses do Conselho dos Guardiões da Revolução (também conhecido como Conselho Supremo), e acirrou o pleito, desencadeando diversos protestos.

Para o coordenador de relações internacionais da Universidade Belas Artes de São Paulo, Sidney Leite, está claro que as autoridades máximas do país não desejam enfrentar a mesma situação de risco experimentada na eleição presidencial anterior.


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—Temos um outro cenário [em 2013], tudo que o Conselho Superior não quer é um novo 2009. Então, ele foi bem mais rigoroso eliminando candidatos ex-presidentes ou que colocassem em risco a estabilidade da revolução. 


De acordo com Leite, em 2009, o Conselho não foi tão controlador e se mostrou menos agressivo, pois o órgão — que representa os ideais da revolução islâmica de 1979 — imaginou que a eleição ocorreria sem qualquer surpresa. Em 2013 isto não está se repetindo, os aiatolás não hesitaram em usar seu poder: dos 686 candidatos inscritos, apenas oito foram aprovados para concorrer ao cargo de presidente.

—[Em 2009] Eles [membros do Conselho] estavam adotando uma postura liberal. Havia uma segurança de que não ocorreriam consequências muito graves. Porém, houve: a possível vitória do candidato Verde que uniu a oposição contra Ahmadinejad [atual presidente].


O professor e especialista em política internacional das Faculdades Rio Branco, Guilherme Casarões, também crê que, no pleito iraniano deste ano, houve maior intervenção do aiatolá supremo. Entretanto, ele destaca que tal postura se deve não só pela disputa nas urnas de 2009. Na sua opinião, a conduta do governo em vigor, liderado pelo polêmico Mahmoud Ahmadinejad, é outro aspecto que preocupa os guardiões da revolução.

—A minha impressão é que Ahmadinejad atendeu a um propósito muito importante para o Irã nos anos em que governou. Mas durante esse processo, ele se tornou muito independente dos aiatolás. Ele começou a privilegiar mais o sentimento nacionalista iraniano do que propriamente o sentimento teocrático.

De acordo com Casarões, o nacionalismo é bem visto pelo Conselho, porém, a prioridade do grupo é a revolução islâmica. Ou seja, para os verdadeiros detentores do poder no Irã, nenhum outro assunto pode prevalecer sobre o objetivo religioso de defesa dos preceitos muçulmanos.

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Neste sentido, o coordenador das Belas Artes ressalta que Khamenei é o chefe do Estado iraniano. Por isso, sua principal função é resguardar a legitimidade e a aplicação das doutrinas da revolução religiosa de 79.

—O aiatolá acha que 2009 aconteceu por um certo avanço de um liberalismo que é entendido como uma ameaça não ao governo, mas uma ameaça ao Estado iraniano, que é em última instância a república islâmica.(…) A primeira república islâmica do mundo; um farol de referência.

O professor Leite reforça a ideia de que Ahmadinejad foi uma "curva fora do padrão" e seu comportamento estridente gerou graves feridas no prestígio internacional do país persa.

—Ele tornou o Irã um país mais isolado com consequências desastrosas para a economia e para a sociedade iraniana.

Casarões reitera a análise do colega de que o aiatolá e seus aliados possuem objetivos claros ao agir com mais vigor neste ano. O professor entende que existem três principais desafios para o Conselho nesta eleição. 

—Evitar que o Irã continue sendo marginalizado de maneira sistemática pela comunidade internacional. Não ter uma eleição polêmica e não continuar com um presidente que defende posições contrárias à própria essência da república islâmica.

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