Mulheres votam pela primeira vez na Arábia Saudita

Apesar do avanço, as sauditas ainda sofrem muitas restrições no país

A população do reino islâmico pedia há anos por mais democracia
A população do reino islâmico pedia há anos por mais democracia Reprodução/ The Independent

Pela primeira vez na história do país, as mulheres da Arábia Saudita foram as urnas para votar e serem votadas neste sábado (12).

A população do reino islâmico pede há anos por mais democracia, pressionando o reino, que é uma das ditaduras mais antigas do mundo.

Com isso, o rei Abdullah anunciou que as mulheres poderiam votar e concorrer a cargos nos Conselhos Regionais a partir de 2015.

No entanto, apesar do avanço, as sauditas ainda sofrem muitas restrições. Segundo informações do The Independent, apenas 978 mulheres vão concorrer com outros 5.938 homens para os 2.100 postos disponíveis nos conselhos municipais.

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As leis rígidas do país também deverão dificultar para que as mulheres tenham um bom desempenho nas eleições. Como elas são impedidas de falar em público com homens que não sejam de suas famílias, as candidatas não puderam se comunicar diretamente com eleitores do sexo masculino, e vice-versa.

Também surgiram relatos de candidaturas de mulheres sendo arbitrariamente canceladas. O fato de que elas não podem dirigir gera outro empecilho, já que as candidatas e eleitoras devem ir acompanhadas de um homem até os locais de votação. Para outros, a permissão ao voto tratou-se de uma medida meramente simbólica.

"Como primeiro passo, é uma grande conquista. Agora sentimos que somos parte da sociedade, sentimos que contribuímos", disse Sara Ahmed, uma fisioterapeuta de 30 anos, quando entrava em uma seção eleitoral no norte da capital, Riad. "Conversamos muito sobre isso, é um dia histórico para nós".

A votação, ocorrida na sequência de pleitos restritos a homens em 2005 e 2011, irá escolher dois terços dos assentos de conselhos que anteriormente só tinham poderes consultivos, mas agora terão um papel decisório limitado no governo local.

Esta ampliação adicional do direito de voto levou alguns sauditas a alimentarem a esperança de que a família real Al Saud, que indica o governo nacional, eventualmente realize outras reformas que ampliem o sistema político.

Sob o comando do rei Abdullah, que morreu em janeiro passado e que em 2011 anunciou que as cidadãs poderiam votar na eleição atual, foram adotadas medidas para as mulheres terem uma atuação pública maior, encaminhando mais delas às universidades e incentivando o trabalho feminino.

Mas, embora o sufrágio universal tenha sido um momento transformador em muitas outras nações em busca de igualdade de gêneros, seu impacto na Arábia Saudita deve ser mais limitado, devido a uma ausência mais ampla de democracia e do conservadorismo social persistente.

Antes de Abdullah decretar que as mulheres participariam do pleito deste ano, o Grã-Mufti, a autoridade religiosa máxima do reino, descreveu o envolvimento feminino na política como "abrir as portas ao mal".

O ritmo das reformas sociais no país árabe, que embora em última instância seja ditado pela família Al Saud, também é fortemente influenciado pelo cabo de guerra entre conservadores e progressistas sobre como o país deveria casar sua tradição religiosa com a modernidade.

Só 1,48 milhão dos 20 milhões de sauditas se registraram para votar nesta eleição, incluindo 131 mil mulheres – a apatia generalizada é em parte o resultado de uma votação sem partidos políticos, leis rígidas para as campanhas e da restrição a temas locais.

Por hora, de acordo com algumas das eleitoras que foram às urnas neste sábado, as esperanças de mudança se limitam a estes temas.

"Acredito que as mulheres querem mais parques, bibliotecas para seus filhos, instalações de saúde e de cuidados com o corpo. E simplesmente ser parte das decisões", opinou a fisioterapeuta Sara.

As mulheres sauditas também têm que pedir autorização dos homens para trabalhar, estudar, viajar, casar, abrir contas bancárias e até mesmo ter acesso a cuidados médicos. Elas não podem sair de casa sem estar totalmente cobertas, e são tratadas como cidadãs inferiores pelas leis do país, que ainda pune crimes "morais" com a morte.

(Com informações do The Independent)

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