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Mundo convive com 500 mil crianças-soldados, adverte Nobel da Paz

Ela diz que situação, que qualifica como a pior forma de abuso infantil, pode ter proporções ainda maiores

Internacional|Da Agência Brasil

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A paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos, e o indiano Kailash Satyarthi, ativistas na luta contra o trabalho infantil
A paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos, e o indiano Kailash Satyarthi, ativistas na luta contra o trabalho infantil

O ativista e Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, disse hoje (12) que existe até meio milhão de crianças-soldados no mundo. Ele alertou que a situação, que qualifica como a pior forma de abuso infantil, pode ter proporções ainda maiores. “Existem entre 400 mil a 500 mil crianças-soldados em todo o mundo, mas os números reais podem ser muito maiores porque existem grupos de militantes clandestinos que estão sequestrando crianças e a forçando-as a usar armas”, disse o ativista indiano, em Genebra, onde participa de uma conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Kailash Satyarthi, um símbolo da luta contra a exploração infantil, disse que “obrigar crianças a matar pessoas é a pior coisa que se pode fazer”, mencionando as situações vividas em países como a Síria, o Iraque, a Nigéria e o Afeganistão.


“Quando leio que é dada uma arma a uma criança de cinco anos para matar um oponente de uma milícia no Iraque e que se essa criança não consegue usar a arma e é enterrada viva, isso me provoca raiva. Acho que isso deve provocar raiva em todos”, afirmou o ativista, ontem (11), ao fazer uma intervenção durante a conferência.

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Em conferência na OIT, Satyarthi destaca que no mundo 58 milhões de crianças estão fora da escola
Em conferência na OIT, Satyarthi destaca que no mundo 58 milhões de crianças estão fora da escola

Satyarthi, que em 2014 recebeu o Nobel da Paz juntamente com a adolescente ativista paquistanesa Malala Yousafzai, disse que o financiamento global para a área da educação tem caído significativamente ao longo dos últimos quatro anos. “Em parte devido à crise financeira, mas também à percepção dos doadores de que a educação tem registado grandes avanços nos países em desenvolvimento, quando na realidade isso não é bem assim”, frisou.


Segundo o ativista, todas as crianças no mundo podiam ter acesso a uma educação básica se os fundos anuais globais para o setor aumentassem em US$ 22 bilhões. Satyarthi acrescentou que atualmente 58 milhões de crianças no mundo não frequentam a escola. “Tenho defendido nos últimos 35 anos que a erradicação do trabalho infantil e uma educação de qualidade são as duas faces da mesma moeda. Não podemos alcançar um, sem o outro”, reforçou.

Dados da OIT mostram que 168 milhões de crianças realizam atualmente trabalho infantil, das quais 150 milhões têm idades compreendidas entre 5 e 14 anos. Deste número global e de acordo com as estimativas, cerca de 5 milhões são mantidas como escravas.

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