ONG acusa Vaticano de "minimizar danos causados" por violência sexual
Organização quer que culpados por abusos sejam removidos dos seus cargos
Internacional|Do R7, com Ansa

A Associação das Vítimas de Abusos por Parte de Padres (Snap, na sigla em inglês) apresentou nesta sexta-feira (2) um documento sobre os "graves danos físicos e mentais causados pela violência sexual cometida pelo clero católico" ao CAT (Comitê das Nações Unidas contra a Tortura), que no início da semana que vem vai examinar um relatório enviado pela Santa Sé.
"O Vaticano denuncia a tortura e a pedofilia, mas continua a minimizar o dano causado. Se fossem sinceros, agiriam para proteger as crianças, removendo dos seus cargos os autores dos abusos", declarou Barbara Blaine, presidente da entidade, em um encontro com jornalistas.
Por outro lado, a Igreja acha que é "instrumental e forçado" incluir a questão da pedofilia no âmbito do CAT, cuja 52ª sessão acontece atualmente em Genebra, na Suíça.
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Em uma nota, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse esperar que os debates no organismo das Nações Unidas se desenvolvam por meio de um diálogo "sereno e objetivo".
No entanto, os representantes da associação garantem que é pertinente incluir a questão dos abusos contra menores em um comitê sobre tortura.
"O direito reconhece que o estupro e as violências sexuais constituem circunstâncias de tortura ou de tratamento desumano, cruel e degradante. Existe uma jurisprudência internacional, o estupro e as violências sexuais causam graves danos físicos e mentais", explicou Katherine Gallagher, jurista do Centro para os Direitos Constitucionais, entidade norte-americana com sede em Nova York e que trabalha em parceria com a Snap.
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