Líder de ocupação urbana é assassinado a tiros na região norte de BH
Kadu tinha 38 anos; outro rapaz também foi baleado e está internado em estado grave
Minas Gerais|Do R7 com Record Minas

Um líder comunitário foi morto a tiros na noite de domingo (22) no bairro Jaqueline, região norte de Belo Horizonte. Ricardo de Freitas Miranda, o Kadu, 38 anos, era um dos organizadores da ocupação Vitória, no Isidoro. Um homem que estava com ele também foi baleado.
Segundo o movimento de luta por moradia Brigadas Populares, Kadu tinha acabado de comemorar os 38 anos de idade.
Conforme a Polícia Militar, as vítimas estavam em um carro na rua Hermenegildo Chaves Monzeca quando foram surpreendidas por três homens armados. Os suspeitos atiraram várias vezes contra o veículo e, em seguida, fugiram. A motivação do crime ainda não foi esclarecida.
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Conforme os militares, as duas vítimas chegaram a ser socorridas à UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) São Benedito, mas Kadu morreu pouco depois de dar entrada na unidade. O outro rapaz permanece internado em estado grave.
Até o momento, nenhum suspeito foi identificado.
As Brigadas Populares, que apoiam os movimentos de luta por moradia em Belo Horizonte, divulgaram um comunicado no site lamentando a morte de Kadu. Confira trechos da nota:
"Ontem durante a noite o companheiro Ricardo, conhecido como Kadu, havia acabado de celebrar seus 38 anos de vida e luta quando foi brutalmente assassinado na entrada da ocupação Vitória da Izidora. Desde ontem choramos sua morte prematura, a morte de um lutador das causas do povo e das ocupações urbanas. Kadu foi inestimável companheiro de lutas e de conquistas. Ele escolheu a ocupação Vitória que, mesmo com todo o amor de sua família, decidiu se colocar, de corpo e alma, ao lado das famílias necessitadas em busca de mudar a condição precária que muitas famílias passam.
Ainda, Kadu “adotou” Ana e Adão como seus ‘pais’ da ocupação. Foi incansável membro da coordenação das ocupações que esteve presente, ‘na missão’ como costumava dizer, em todas as lutas, assembleias e reuniões com sua maneira alegre e espontânea de ser, lutando sempre pela resistência das ocupações urbanas e por um mundo mais justo. Sua alegria era contagiante e sempre presente; sua força estava sempre à disposição para ajudar a qualquer um que necessitasse.
A agitação que ele fazia, de maneira espontânea, deixava todas e todos mais alegres pela sua presença, sempre muito feliz. E, em momentos de necessidade, por exemplo durante a repressão violenta da polícia contra as famílias da Izidora, Kadu se colocou, prontamente, a ajudar as pessoas machucadas. Era um companheiro inigualável que, com certeza, sua partida irá fazer falta a cada marcha, a cada assembleia e no próprio dia a dia das ocupações. Sentiremos falta de abraça-lo como irmão que era de todos da ocupação e de sua alegria. Kadu, junto com Manoel Bahia é mais uma das vítimas da falta de oportunidades sistemática que nega o direito à cidade e à moradia adequada, que se desdobra em vários conflitos que acaba levando mais um dos nossos, mais um lutador que parte sem poder dizer adeus".















