‘Ela sempre foi incentivada a largar’, diz tio de capitã da PM durante sepultamento
Ele também comentou a decisão da Justiça que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva
Minas Gerais|Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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O tio da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, Marlon de Carvalho Leão, voltou a falar sobre o relacionamento da sobrinha com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira durante o sepultamento da policial, realizado na manhã desta quarta-feira (22), em Belo Horizonte.
Em entrevista à RECORD Minas, ele afirmou que a família conhecia o comportamento agressivo do militar, disse que Michele foi incentivada diversas vezes a deixar o relacionamento e comemorou a decisão da Justiça que manteve o sargento preso preventivamente.
Ao falar sobre a despedida da sobrinha, Marlon descreveu Michele como uma pessoa alegre e afirmou que a perda deixou toda a família abalada. “Principalmente a tristeza, né? Porque a gente perdeu uma pessoa como ela, uma menina alegre, sempre de bem pra vida, sempre querendo ajudar as pessoas. Isso traz um trauma pra família.”
Durante a entrevista, ele também comentou a decisão da Justiça que converteu a prisão em flagrante do sargento em prisão preventiva. “Com muita satisfação, né? Porque quando a pessoa como ele está fora, em liberdade, ele pode fazer qualquer coisa. Então, quando a gente vê que uma pessoa dessa está presa, como foi convertida essa cautelar, eu fico, a gente fica bem satisfeito porque vai causar menos dano à sociedade.”
Segundo o tio, Michele chegou a colocar fim no relacionamento em diferentes momentos, mas acabava retomando a convivência com o sargento. “Sempre foi incentivada a largar. Ela já tinha deixado diversas vezes o relacionamento, mas constantemente ele ia e persuadia ela a continuar.”
Mesmo com o investigado sendo policial militar, o tio da capitã afirmou acreditar que a investigação será conduzida de forma correta. “Ah, eu creio, acredito totalmente na polícia. Circunstâncias existem, elas têm que ser analisadas. Ele tem o direito de se defender. Eu acho que o processo deve ser dessa forma, mas com tudo que já foi colocado, tudo que já foi levantado, até o que foi causado a ela, os cortes, os hematomas, tudo que foi feito, a Justiça, pelo que eu tenho visto, está sendo correta.”
Antes de encerrar a entrevista, Marlon fez um apelo às mulheres vítimas de violência e agradeceu a repercussão do caso na imprensa.
“Eu só tenho a agradecer a amplitude que vocês estão colocando esse fato porque dessa forma a imprensa está ajudando muitas mulheres a não se sentirem ameaçadas. Eu aconselho a todas as mulheres: delatem, mesmo que tenha maiores danos, não importa, porque um dia tem que acabar isso, tem que diminuir essa violência que os homens se sentem à vontade para fazer contra as mulheres“.
Relembre o caso
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de segunda-feira (20), após dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, com múltiplas lesões e já sem sinais vitais. Ela foi levada à unidade pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que afirmou aos médicos que a esposa havia caído da escada do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste da capital.
A equipe médica desconfiou da versão apresentada pelo sargento ao identificar diversos hematomas e ferimentos no corpo da policial. Diante da situação, o hospital acionou a Polícia Militar, que iniciou as diligências ainda durante a noite.
Durante as investigações, imagens das câmeras de segurança do prédio registraram o momento em que Eduardo deixa o apartamento carregando Michele no colo até a garagem, de onde segue para o hospital. No imóvel, os militares encontraram vestígios de sangue em diferentes cômodos, um bastão de madeira quebrado e roupas que, segundo a investigação, teriam sido lavadas após o ocorrido.
Em entrevista coletiva, a Polícia Militar informou que os levantamentos iniciais apontam indícios de um relacionamento abusivo entre o casal e revelaram a existência de registros anteriores de agressões envolvendo os dois. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte.
Eduardo Abner foi preso em flagrante e, nesta quarta-feira (22), teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia. Na decisão, o juiz Antônio Francisco Gonçalves entendeu que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública”. O caso tramita sob segredo de Justiça.
A defesa do sargento nega que Michele tenha sido vítima de agressões. Segundo os advogados, a capitã morreu em decorrência de uma queda da escada e parte das lesões identificadas no corpo seriam resultado de práticas sexuais consensuais do casal. A Polícia Civil segue investigando o caso.
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