Indústria do cacau prevê prejuízo de R$ 220 milhões com mudança nas regras de importação
Em entrevista ao ‘Record News Rural’, a presidente da AIPC afirma que impactos vão começar a ser sentidos a partir de 2027
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau) contratou uma consultoria independente para fazer uma avaliação sobre a medida provisória aprovada pela comissão mista, que altera as regras de importação de cacau via drawback — mecanismo que permite a suspensão, redução ou isenção de tributos sobre insumos importados que serão utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
Em entrevista ao Record News Rural, a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, afirma que o “estudo vai demonstrar que a gente tem uma perda de mais de 220 milhões por ano, sendo que mais de 20 milhões é do produtor”. Segundo ela, os impactos negativos da medida provisória vão começar a ser sentidos a partir de 2027 nas exportações.

“O Brasil não produz cacau suficiente para atender à indústria nacional. Então, hoje a gente já opera com uma ociosidade próxima dos 30% e, para que a gente supra essa ociosidade, a gente importa cacau durante o período da menor safra brasileira, normalmente entre novembro e abril do ano. E essa importação acontece não para atender o mercado interno, mas sim para atender os clientes internacionais. E, por isso mesmo, a gente usa o mecanismo de drawback“, explica Anna Paula.
De acordo com a presidente da AIPC, a MP mostra que o Brasil não quer criar mecanismos para a industrialização de cacau, e isso é ruim, pois “demonstra que o Brasil prefere ser um exportador de commodity ao invés de exportar produtos com agregação de valor”.
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