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Estudante cearense cria sistema para prever chuvas

Morador do Vale do Jaguaribe, jovem de 16 anos desenvolveu sistema com 94,5% de precisão

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Raul Victor Magalhães Souza, um dos premiados da Fundação Bunge Foto cedida: Fundação Bunge

Observar os sinais da natureza faz parte de uma tradição de quem vive no campo e atravessa gerações. O conhecimento envolve desde a análise do comportamento dos animais até a observação da floração das plantas, tudo para tentar prever se vai chover.

O estudante cearense Raul Victor Magalhães Souza, de 16 anos, teve a ideia de aproximar essa tradição da tecnologia. Morador de Iracema, no Vale do Jaguaribe, ele desenvolveu um sistema de previsão pluviométrica que combina inteligência artificial, registros meteorológicos e observações dos chamados “profetas da chuva”.


A proposta é usar a tecnologia como uma ferramenta complementar para ajudar agricultores familiares a tomar decisões relacionadas ao plantio e ao manejo das lavouras em uma região onde a distribuição das chuvas é bastante irregular.

E a inspiração veio de casa.


“Meu avô, que é agricultor, sempre me falava sobre os ‘profetas da chuva’. Quando recebi uma bolsa de iniciação científica, pensei que poderia unir esse conhecimento cultural à inteligência artificial para ampliar sua aplicação”, disse Raul.

O projeto apresentou 94,5% de precisão nas previsões e rendeu ao estudante o Prêmio Fundação Bunge, uma das tradicionais premiações científicas do país. Raul foi reconhecido na categoria Juventude, no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”. Ele é apenas o segundo premiado com menos de 18 anos na história da premiação.


“Meu avô ainda é vivo e fica muito orgulhoso quando vê esse reconhecimento. Para mim, é uma felicidade enorme poder mostrar que um conhecimento que faz parte da nossa cultura pode dialogar com a tecnologia e gerar benefícios para a sociedade.”

O estudante é bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM), do CNPq, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC). Com orientação da professora Roberta Jeane Bezerra Jorge, da Faculdade de Medicina da UFC, e do doutorando Helyson Lucas Bezerra Braz, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfofuncionais da universidade, Raul cruzou registros meteorológicos históricos com observações feitas por “profetas da chuva” de municípios do Vale do Jaguaribe.


“Sem a bolsa, eu não teria a maturidade científica que tenho hoje. Muitos jovens têm vontade de fazer pesquisa, mas têm receio. Eu sempre incentivo que encontrem algo de que realmente gostem. A ciência abre portas, cria conexões e faz a gente perceber que pode chegar muito mais longe do que imaginava”, disse.

Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico brasileiro e para a busca de soluções para desafios estratégicos do país. Em 2026, a premiação tem como foco a agricultura tropical sustentável e a inovação no campo.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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