‘Esse custo vai ficar mais alto’: ex-ministro alerta para impactos da reforma tributária no agro
Mudanças podem gerar aumento dos custos logísticos, dificuldades para pequenos produtores e riscos à industrialização e à competitividade
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A reforma tributária continua gerando dúvidas no campo e pode trazer impactos importantes para o agronegócio brasileiro. Segundo o ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, entre os principais pontos de atenção estão a formalização dos pequenos produtores, a tributação sobre produtos industrializados, o aumento dos custos logísticos e os reflexos na competitividade do setor.
De acordo com Cabrera, a exigência de uma maior formalização prevista no novo modelo tributário pode ser um desafio, principalmente para pequenos agricultores. “Então essa forçada de uma reforma tributária para os pequenos, eu diria que está sendo quase como uma antirreforma agrária”, afirmou. Para ele, a necessidade de ter um CNPJ e manter uma contabilidade regular pode dificultar a adaptação de produtores que ainda trabalham com métodos mais tradicionais.

O ex-ministro também criticou a forma como a reforma trata os produtos agro-industrializados. Segundo ele, alimentos in natura incluídos na cesta básica vão ter a tributação reduzida, mas passarão a ser taxados quando forem processados. “Então, a reforma tributária está sendo contra a industrialização do agronegócio”, disse. Na avaliação de Cabrera, isso pode desestimular a agregação de valor à produção e limitar a geração de empregos na indústria ligada ao campo.
Outro ponto de preocupação é a logística. Como o setor de serviços deve enfrentar uma carga tributária maior, a expectativa é de aumento nos custos de transporte. Para Cabrera, a situação é ainda mais delicada porque o Brasil depende principalmente do transporte rodoviário e aproveita pouco suas hidrovias e ferrovias. “Nós estamos utilizando já de uma maneira de largada a pior matriz logística, e, com a reforma tributária, esse custo vai ficar mais alto”, alertou.
Durante a entrevista, Cabrera também comentou o cenário das exportações de carne bovina. Mesmo diante das restrições impostas pela China e de barreiras em outros mercados, ele destacou a evolução da pecuária brasileira e defendeu uma atuação diplomática mais forte para ampliar mercados e reduzir a dependência de poucos compradores.
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Por fim, o ex-ministro reconheceu que a reforma traz avanços ao prever a redução gradual dos impostos sobre itens da cesta básica, mas afirmou que ainda são necessários ajustes. Para ele, é fundamental discutir melhor a tributação dos insumos de produção e criar condições que incentivem a industrialização dos alimentos, sem comprometer a competitividade do agro ou aumentar os custos para a população mais vulnerável.
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