Logo R7.com
RecordPlus

‘Esse custo vai ficar mais alto’: ex-ministro alerta para impactos da reforma tributária no agro

Mudanças podem gerar aumento dos custos logísticos, dificuldades para pequenos produtores e riscos à industrialização e à competitividade

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A reforma tributária pode aumentar os custos logísticos no agronegócio brasileiro, especialmente devido à maior carga tributária sobre o setor de serviços.
  • Exigências de formalização, como a obtenção de CNPJ e contabilidade regular, podem ser desafiadoras para pequenos produtores rurais.
  • A tributação de produtos agroindustrializados pode desestimular a industrialização e a geração de empregos no setor agroindustrial.
  • Apesar dos avanços na redução de impostos sobre a cesta básica, ajustes são necessários para não comprometer a competitividade do agronegócio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A reforma tributária continua gerando dúvidas no campo e pode trazer impactos importantes para o agronegócio brasileiro. Segundo o ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, entre os principais pontos de atenção estão a formalização dos pequenos produtores, a tributação sobre produtos industrializados, o aumento dos custos logísticos e os reflexos na competitividade do setor.

De acordo com Cabrera, a exigência de uma maior formalização prevista no novo modelo tributário pode ser um desafio, principalmente para pequenos agricultores. “Então essa forçada de uma reforma tributária para os pequenos, eu diria que está sendo quase como uma antirreforma agrária”, afirmou. Para ele, a necessidade de ter um CNPJ e manter uma contabilidade regular pode dificultar a adaptação de produtores que ainda trabalham com métodos mais tradicionais.


Duas colheitadeiras operando lado a lado em uma plantação agrícola seca, levantando poeira durante a colheita.
Reforma pode encarecer a produção e pressionar a competitividade do agro Reprodução/Record News

O ex-ministro também criticou a forma como a reforma trata os produtos agro-industrializados. Segundo ele, alimentos in natura incluídos na cesta básica vão ter a tributação reduzida, mas passarão a ser taxados quando forem processados. “Então, a reforma tributária está sendo contra a industrialização do agronegócio”, disse. Na avaliação de Cabrera, isso pode desestimular a agregação de valor à produção e limitar a geração de empregos na indústria ligada ao campo.

Outro ponto de preocupação é a logística. Como o setor de serviços deve enfrentar uma carga tributária maior, a expectativa é de aumento nos custos de transporte. Para Cabrera, a situação é ainda mais delicada porque o Brasil depende principalmente do transporte rodoviário e aproveita pouco suas hidrovias e ferrovias. “Nós estamos utilizando já de uma maneira de largada a pior matriz logística, e, com a reforma tributária, esse custo vai ficar mais alto”, alertou.


Durante a entrevista, Cabrera também comentou o cenário das exportações de carne bovina. Mesmo diante das restrições impostas pela China e de barreiras em outros mercados, ele destacou a evolução da pecuária brasileira e defendeu uma atuação diplomática mais forte para ampliar mercados e reduzir a dependência de poucos compradores.

Veja Também

Por fim, o ex-ministro reconheceu que a reforma traz avanços ao prever a redução gradual dos impostos sobre itens da cesta básica, mas afirmou que ainda são necessários ajustes. Para ele, é fundamental discutir melhor a tributação dos insumos de produção e criar condições que incentivem a industrialização dos alimentos, sem comprometer a competitividade do agro ou aumentar os custos para a população mais vulnerável.

Search Box

Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.