Após alerta de ‘misantropia’, governo prepara nova versão de sistema da Defesa Civil
Polícia Federal abriu inquérito para investigar a invasão ao sistema nacional de notificações
Brasília|Do R7, em Brasília, com informações da Agência Brasil
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O governo federal já trabalha em uma nova versão do Defesa Civil Alerta para reforçar a segurança da plataforma após a invasão que resultou no envio de uma mensagem falsa de alerta extremo a milhares de celulares na madrugada do último sábado (20).
O alerta não autorizado, que continha a palavra “misantropia”, foi disparado para usuários em diferentes estados do país e levantou questionamentos sobre a proteção de uma das principais ferramentas utilizadas para avisar a população sobre riscos de desastres naturais.
A informação foi confirmada pelo secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Wolnei Wolff. Segundo ele, equipes de tecnologia da informação da pasta já desenvolvem uma atualização do sistema com foco em ampliar as barreiras de segurança e evitar novos incidentes.
“Já se encontra em desenvolvimento dentro do Ministério da Integração, dentro da nossa [equipe] de TI, uma nova versão do sistema, pensando exatamente em melhorar a segurança. Eu não conseguiria afirmar exatamente que dia essa versão vai ser concluída e estará no ar”, afirmou Wolff, em entrevista à imprensa.
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O esforço constante do órgão em aperfeiçoar o sistema de alerta partiu de uma determinação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que, em 2023, definiu a migração da distribuição das mensagens de emergência por SMS (Serviço de Mensagens Curtas, na sigla em inglês) para a tecnologia Cell Broadcast.
A ferramenta de envio de alertas de emergência utiliza sistema de transmissão por meio de telefonia celular para emitir alertas sonoros e visuais com o objetivo de informar sobre iminência de risco de desastres como inundações, deslizamentos, tufão e rompimento de barragens. O objetivo é preservar vidas.
Adolescente pode estar envolvido no caso
Segundo apurou o blog da Natália Martins, um menor de idade teria sido pelo menos um dos responsáveis pela inserção da mensagem de “ódio à humanidade” nos alertas enviados aos celulares.
Ele teria utilizado credenciais de servidores públicos com autorização para acesso e inserido mensagens de alerta, utilizando como tutorial um vídeo da própria Defesa Civil, que divulgou como fazia os alertas.
Nesta segunda-feira (22), a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a invasão ao sistema nacional de notificações de desastres da Defesa Civil. No final de semana, já tinham aberto um procedimento preliminar de investigação.
Agora, a PF quer saber se outras pessoas participaram do suposto ataque hacker e como conseguiram credenciais de servidores, para determinar quais crimes foram cometidos.
Funcionamento
O acionamento do sistema se dá a partir de uma previsão informada por órgãos de monitoramento do clima, por exemplo. O agente credenciado e capacitado cadastra o alerta no sistema, que transmite diretamente aos aparelhos de celulares da região afetada.
O recurso não depende de pacote de dados e funciona mesmo se o usuário não estiver conectado a uma rede de Wi-Fi.
O alerta que pode ser classificado como severo ou extremo. Quando severo indica necessidade de ações preventivas. Já o extremo indica risco grave para a vida e a propriedade, por isso emite um sinal sonoro que só é interrompido após liberação do usuário.
Os alertas emitidos nessa madrugada estavam classificados como extremo.
Vantagens
Entre as vantagens do atual sistema estariam a dispensa de cadastro prévio de usuários e a rapidez no envio simultâneo para milhões de dispositivos, sem o risco de sobrecarregar a rede de telecomunicação.
Ainda em 2023, a regulamentação do sistema foi publicada pelo MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), atribuindo à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil a responsabilidade pela gestão do serviço.
Segurança
Na prática, o sistema só poderia ser acessado por pessoas treinadas por equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Por essa razão, a invasão está sendo tratada pelo órgão como um “incidente de segurança cibernética”.
A precisão sobre a entrega dos alertas apenas às populações em áreas atingidas pelos desastres seria mais uma vantagem da tecnologia. Nos alertas emitidos nesta madrugada, no entanto, as mensagens foram distribuídas de forma aleatória.
Por essa razão, há uma dificuldade em quantificar o número de pessoas atingidas: “Por se tratar de um acionamento não autorizado, o comportamento dos disparos não seguiu o padrão operacional do Defesa Civil Alerta”, diz nota do MIDR.
Anatel
De acordo com os órgãos responsáveis, os falsos alertas ainda precisam passar por melhorias, mas isso não descarta a relevância da ferramenta na proteção das populações, conforme destacou comunicado da Anatel.
“A Agência reforça a relevância do sistema de alertas por Cell Broadcast, apto a cumprir seu propósito de apoiar as ações de prevenção e resposta a desastres, contribuindo para a proteção da população e a preservação de vidas”, reforça.
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