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Bolsonaro no Exército: STM vai analisar elogios e punições em processo de perda de patente

Tribunal cobrou das Forças Armadas o envio de informações sobre a carreira militar do ex-presidente

Brasília|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O STM analisará o histórico disciplinar e condecorações de Jair Bolsonaro para decidir sobre a perda de sua patente militar.
  • Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista, pode ser expulso do Exército.
  • O Ministério Público Militar pediu a declaração de indigna para o oficialato de Bolsonaro devido a suas condutas na tentativa de subverter o sistema democrático.
  • A defesa do ex-presidente requereu documentos da sua carreira militar para fundamentar sua situação perante o tribunal.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Bolsonaro pode ser expulso do Exército após julgamento no STM Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - 14.9.2025

O STM (Superior Tribunal Militar) vai analisar aspectos como histórico funcional, condecorações, punições e elogios recebidos por Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo Exército para definir se o ex-presidente deve perder o posto e a patente militar de capitão reformado.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, Bolsonaro responde a um processo no STM que pode resultar na sua expulsão do Exército.

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Na semana passada, a pedido da defesa do ex-presidente, o tribunal cobrou das Forças Armadas o envio de informações sobre a carreira militar de Bolsonaro.

Leia mais

A ação, iniciada pelo procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, se baseou na condenação de Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) pela trama golpista ocorrida no fim do mandato dele, em 2022.

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Diferentemente do julgamento no STF, que tem caráter criminal, o STM analisa se a conduta que levou à condenação compromete a dignidade ou a compatibilidade do militar com a posição que ocupa no quadro do Exército.

Entenda os trâmites

O pedido da defesa busca reunir documentos elaborados de 1971 a 1988, período em que Bolsonaro atuou como capitão no Exército brasileiro.

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Dentre os documentos requeridos estão prontuários funcionais, histórico disciplinar, avaliações de desempenho e registros de condecorações.

As solicitações foram enviadas para diferentes instituições ligadas às Forças Armadas:

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Exército

  • Histórico disciplinar completo (incluindo certidão sobre existência ou não de punições disciplinares);
  • Processos administrativos;
  • Transgressões registradas e elogios recebidos;
  • Avaliações de desempenho e conduta feitas por superiores hierárquicos quando ainda em atividade;
  • Relação completa de condecorações, medalhas, honrarias e distinções;
  • Certidão sobre a conduta do oficial reformado no período posterior à reforma (de 1988 em diante).

Marinha

  • Informações sobre condecorações, honrarias ou distinções recebidas por Bolsonaro, caso haja;
  • Cópia dos atos concessivos, datas de concessão, motivação formal e grau ou categoria da honraria.

Aeronáutica

  • Informações sobre condecorações, honrarias ou distinções recebidas por Bolsonaro, caso haja;
  • Cópia dos atos concessivos, datas de concessão, motivação formal e grau ou categoria da honraria.

Ministério da Defesa

  • Informações sobre condecorações, honrarias ou distinções recebidas por Bolsonaro, caso haja;
  • Cópia dos atos concessivos, datas de concessão, motivação formal e grau ou categoria da honraria.

Próximos passos

O relator do caso, ministro Carlos Vuyk de Aquino, entendeu que o envio dos documentos pode contribuir para a avaliação das condições éticas e morais de Bolsonaro.

A partir da decisão, o processo segue agora para a etapa de coleta e análise de provas. A defesa ainda pode se manifestar antes do prosseguimento do julgamento.

Acusações do MP Militar contra Bolsonaro

Em fevereiro deste ano, o MPM (Ministério Público Militar) apresentou ao STM uma representação pedindo que o ex-presidente seja declarado indigno para o oficialato e, como consequência, perca o posto e a patente de capitão reformado do Exército.

Segundo o MPM, a gravidade das condutas imputadas a Bolsonaro na trama golpista torna o ex-presidente moralmente incompatível com a condição de oficial das Forças Armadas.

O órgão ressaltou que Bolsonaro violou preceitos éticos que regem a carreira militar, destacando que houve ofensa à verdade e à probidade. Segundo o MP Militar, ao se apoiar em mentiras e desinformação sobre o sistema eleitoral, Bolsonaro afrontou o dever de “amar a verdade e a responsabilidade”.

O MP também afirmou que houve deslealdade à pátria e à Constituição, já que Bolsonaro, mesmo tendo jurado defendê-las, teria atuado para abolir o Estado democrático de Direito.

A representação citou ainda o desrespeito à hierarquia e às autoridades civis, ao tentar subverter a submissão do poder militar ao poder civil e ao atacar reiteradamente membros do Poder Judiciário.

Além disso, o MP mencionou a falta de decoro e de camaradagem, com o uso de linguagem ofensiva contra ministros do STF e ataques a militares que não aderiram às iniciativas golpistas.

*Estagiária sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe

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