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Brasil registra 636 feminicídios no primeiro semestre de 2023

Estados com mais casos são Minas Gerais e São Paulo; Record TV Brasília lançou campanha para conscientizar sobre o tema

Brasília|Rafaela Soares, do R7, em Brasília

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Brasil registrou 636 casos no primeiro semetre
Brasil registrou 636 casos no primeiro semetre

O Brasil registrou uma média de 3,5 casos de feminicídio por dia no primeiro semestre de 2023. Levantamento feito pelo R7 mostra que, ao todo, 636 casos foram registrados nos seis primeiros meses do ano. A Record TV Brasília lançou a campanha "Feminicídio. Para toda vida, respeito!" , que tem como objetivo debater o tema em uma série de reportagens especiais.

Os dados são dos governos estaduais, e a reportagem avaliou o período dos seis primeiros meses de 2023 porque, em algumas regiões, os dados dos primeiros meses do segundo semestre ainda não foram contabilizados. O R7 detalhou os dados disponíveis do segundo semestre separadamente (veja mais abaixo).


Nos seis primeiros meses do ano, os estados que mais registraram feminicídios foram São Paulo, com 123 casos, Minas Gerais, com 85 ocorrências, e Rio de Janeiro, com 52 mortes. Assim, a região Sudeste concentra o maior número de casos, seguida pelo Nordeste e Norte.

Um dos casos foi o de Aline de Oliveira, de 41 anos, que foi assassinada no meio da rua em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro. O crime foi cometido pelo ex-marido, quando a mulher voltava da escola do filho. O menino estava na garupa quando a mãe foi baleada. O homem foi preso, e a arma, apreendida.


A lei começou a valer em março de 2015 para qualificar o homicídio de mulheres em casos de violência doméstica. É considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima.

O promotor Thiago Pierobom, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, afirmou em entrevista à Record TV Brasília que a lei é um marco extremamente importante para dar visibilidade ao tema da violência contra mulheres. "Antes dessa lei, havia um fenômeno social que não tinha nome. Quando algo não tem nome, é como se ele não existisse."


Segundo dados do Fórum de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de mil casos de feminicídio por ano de 2017 a 2022. Ou seja, nos últimos seis anos, 7.772 mulheres foram vítimas deste crime em todo o país.

Segundo semestre de 2023

Alguns estados, como Piauí, Mato Grosso e o Distrito Federal já contabilizaram as ocorrências registradas nos primeiros meses do segundo semestre. São eles:


Região Sul 

• Rio Grande do Sul - 57 (janeiro a agosto/2023)

• Santa Catarina - 36 (janeiro a agosto/2023)

Região Centro-Oeste

• Mato Grosso - 24 (janeiro a agosto/2023)

• Mato Grosso do Sul - 21 (janeiro a agosto/2023)

• Distrito Federal - 27 (janeiro a agosto/2023)

Região Norte

• Amazonas - 16 (janeiro a jullho/2023)

• Pará - 38 (janeiro a 15 de setembro/2023)

Região Sudeste

• Espírito Santo - 22 (janeiro a agosto/2023)

• São Paulo - 123 (janeiro a jullho/2023)

• Rio de Janeiro - 64 (janeiro a jullho/2023)

Região Nordeste

• Maranhão - 27 (janeiro a jullho/2023)

• Piauí - 21 (janeiro a setembro/2023)

• Bahia - 62 (janeiro a setembro/2023)

• Sergipe - 8 (janeiro a agosto/2023)

• Alagoas - 15 (janeiro a jullho/2023)

• Pernambuco - 47 (janeiro a agosto/2023)

 Ceará - 32 (janeiro a jullho/2023)

Distrito Federal

Dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) mostram que a região já registrou mais feminicídios em 2023 do que em todo o ano passado. Neste ano, 27 mulheres perderam a vida entre janeiro e setembro, número maior do que as 17 ocorrências registradas em todo o ano de 2022.

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Uma das mortes foi a da enfermeira Patrícia Pereira de Sousa, que foi morta com um tiro no pescoço por Bruno Gomes Mares. O casal mantinha em relacionamento de 18 anos. Patrícia foi morta na frente dos filhos.

As estatísticas divulgadas pela SSP-DF mostram que o ciúmes foi a causa principal em 63,6% dos crimes registrados na capital. No caso de Patrícia, parentes afirmaram que Bruno tomava remédios controlados, mas tinha permissão para usar arma de fogo. Ele trabalhava como serralheiro e tinha comportamento "ciumento e possessivo".

A psicóloga Maísa Guimarães explicou que a sociedade ainda romantiza o sentimento de ciúmes. “Existe um contexto cultural, de valores e de uma certa permissividade para que homens se sintam com mais poder e com direito sobre a escolha das mulheres. ”

Canais de denúncia

Disque Denúncia: 197 ou (61) 98626-1197 (WhatsApp)

Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher: (61) 3207-6172/3207-6195 (funcionam 24 horas)

PMDF: 190

Núcleo de Gênero do MPDFT: (61) 3343-6086 e (61) 3343-9625

Núcleo de Assistência Jurídica de Defesa da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública: WhatsApp (61) 999359-0032

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