Cármen Lúcia lota maior mesa da Flip com ‘causos’ engraçados e defesa da democracia
Participação da ministra reuniu centenas de pessoas e foi marcada por piadas, histórias do cotidiano e defesa da democracia
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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Entre risos, aplausos e histórias de supermercado, a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia participou nesta sexta-feira (24) da Flip, em Paraty (RJ). Longe das sessões de julgamento, ela conquistou o público ao contar episódios do cotidiano, fazer piadas sobre si mesma e refletir sobre defesa da democracia, liberdade e cidadania durante o lançamento do livro Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil.
Em conversa mediada por Paula Miraglia, a ministra defendeu a importância da literatura e da arte para a democracia. “Democrata é quem sabe perder, não é quem sabe ganhar”, afirmou.
Ela também compartilhou episódios vividos fora dos tribunais. Um dos relatos mais aplaudidos foi sobre uma abordagem que recebeu ao sair de um supermercado em Belo Horizonte.
“Eu escuto certas coisas dessa tal de Cármen Lúcia que eu fico horrorizada com ela. ‘Aquela mulher, não sei, tem que prender essa mulher’. Na sexta-feira passada, em BH, eu estava saindo de um supermercado, carregando umas sacolas, quando uma senhora me abordou e disse: ‘Moça, vem cá, posso tirar uma foto com você? Você parece demais com a Cármen Lúcia. Já te falaram isso?’”, contou.
Segundo a ministra, ela aceitou tirar a foto, mas a conversa continuou de forma inusitada. “Ela perguntou: ‘Você conhece a Cármen Lúcia de Brasília?’. Eu respondi: ‘E se fosse ela?’. Aí ela disse: ‘Você acha que ela iria sair de um supermercado carregando sacolinha de tomate?’. Depois completou: ‘Vou enganar todo mundo, mas vou te falar uma coisa: você é muito mais simpática que ela. Ela é rabugenta’”, disse, provocando gargalhadas da plateia.
Em outro momento, Cármen Lúcia afirmou que leva uma vida comum e rejeitou qualquer tratamento diferenciado por ocupar uma das cadeiras do STF. “Não há nada grave demais nem dramático demais na minha vida. Se fosse o [Carlos] Drummond, ele diria: ‘Eita vida besta’. Eu sou uma cidadã como outra qualquer”, afirmou.
Ela também relembrou um episódio ocorrido em uma fila de aeroporto. Segundo a ministra, uma pessoa insistiu para que ela passasse na frente por causa do cargo que ocupa.
“Uma vez estava em uma fila no aeroporto e uma pessoa falou: ‘A senhora passa na frente’. Eu respondi: ‘Todos nós somos cidadãos’. E ela retrucou: ‘Estou pagando para minha filha estudar Direito, não é para minha filha pegar fila, não’.”
Ao encerrar a história, a ministra reforçou que prefere manter uma rotina semelhante à de qualquer brasileiro.
“Eu decidi ser o que eu sou mesmo: uma cidadã brasileira trabalhadora como outra qualquer, que reclama na hora em que o despertador toca todos os dias às 5h15 da manhã”, disse.
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