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Conta de luz grátis a indígenas, quilombolas e idosos do BPC: entenda novas regras do governo

Gratuidade vale para famílias de baixa renda com consumo mensal de até 80 kWh, segundo Ministério de Minas e Energia

Brasília|Do R7

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Energia elétrica, luz, interruptor
Medida pode beneficiar até 71 milhões de brasileiros Fernando Frazão/Agência Brasil - 14.7.2021

O Ministério de Minas e Energia apresentou nesta semana uma proposta de reforma do setor elétrico, que prevê uma nova tarifa social para a conta de luz. A ideia é beneficiar até 71 milhões de brasileiros com gratuidade ou descontos na fatura.

A gratuidade valerá nos casos em que o gasto mensal de energia for de até 80 kWh. Caso esse limite seja ultrapassado, as famílias pagarão apenas pela quantidade excedente.

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Serão atendidas com a medida famílias do CadÚnico com renda mensal até meio salário mínimo per capita; pessoas com deficiência ou idosos de 65 anos ou mais no BPC (Benefício De Prestação Continuada); famílias indígenas e quilombolas do CadÚnico; e famílias do CadÚnico atendidas em sistemas isolados por módulo de geração. O governo estima que 16 milhões terão a conta de luz zerada.

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A estimativa é que a gratuidade na conta de energia gere um custo de R$ 3,6 bilhões ao ano, que será bancado pela CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), um fundo setorial que financia diversas políticas públicas.

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Além disso, para quem não se adequa às regras da tarifa social, a proposta de reforma do setor elétrico prevê descontos a famílias do CadÚnico com renda mensal entre meio e um salário mínimo per capita. Nesse caso, a fatura será reduzida para quem tiver consumo mensal de energia de até 120 kWh.

Segundo as contas do Ministério de Minas e Energia, 21 milhões de famílias — cerca de 55 milhões de pessoas — podem ser beneficiadas com uma redução de cerca de 11,8% nas contas de energia.

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Segundo o ministério, a complexidade das regras atuais e a defasagem das faixas de desconto foram os principais fatores que favoreceram as mudanças para a tarifa social. Atualmente, brasileiros que consomem de 0 a 30 kWh de energia, por exemplo, recebem 65% de desconto. Caso a nova regra entre em vigência, esse público terá gratuidade no pagamento.

Entre os benefícios citados pelo governo está a redução dos custos operacionais das distribuidoras, principalmente por inadimplência, além da diminuição de furtos e maior eficiência no uso das instalações.

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Abertura do mercado

A reforma do setor elétrico encabeçada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prevê a abertura total do mercado livre de energia a partir de março de 2028. O principal objetivo é ampliar a competição no mercado, assegurando a liberdade de escolha aos consumidores. A proposta foi enviada nessa quarta-feira (16) a Casa Civil, onde será avaliada.

Atualmente, o mercado livre é restrito a um grupo pequeno de consumidores, que consomem média e alta tensão, e não representam nem 1% do total. Ao abrir o mercado, o consumidor terá a possibilidade de escolher de quem comprará energia, assim como funcionam as redes de telefonia e internet. O setor de energia acredita que o projeto possa gerar um ambiente moderno e competitivo a todos os consumidores que recebem o direito de comprar energia.

Desta forma, o consumidor poderá escolher a distribuidora que melhor atender as necessidades, preços e condições contratuais. Apesar das mudanças, as distribuidoras continuarão a ser responsáveis pela infraestrutura de distribuição. Se o consumidor escolher entrar no mercado livre de energia, “as concessionarias locais passarão a receber apenas o valor referente à distribuição”, explica a pasta.

De acordo com a Abraceel (Associação Brasileira dos Comerciantes de Energia), a abertura do mercado beneficiaria, ainda, um grupo chamado” Brasil esquecido”, formado por um grupo de consumidores que não estão incluídos em políticas públicas nem possuem recursos suficientes para reduzir o custo da conta de luz.

O estudo da associação aponta que esse público soma mais de 150 milhões de brasileiros, incluindo famílias C e D, além de pequenos comércios e indústrias.

“A ideia é que o consumidor saiba o que ele está pagando para a distribuidora [referente ao uso da rede] e para o fornecedor de energia que ele escolher. Essa separação torna o modelo mais transparente e justo, pois deixa claro o que o consumidor está pagando para cada parte da cadeia”, diz o ministério.

Debate no governo

Ao falar sobre o tema, Silveira comentou sobre a necessidade de racionalizar os custos do setor e reduzir as injustiças na tarifa de energia.

“Há muita injustiça nas tarifas de energia elétrica. Necessitamos racionalizar os custos do setor e endereçar as injustiças na composição da tarifa. Mais de 60 milhões de brasileiras e brasileiros serão beneficiados com a gratuidade de consumo. A verdadeira revolução do setor elétrico está prestes a ocorrer”, destacou.

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