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CPI do Crime Organizado chega ao fim sem ouvir nomes-chave e com alto índice de ausências

Em cinco meses, comissão do Senado não conseguiu ouvir governadores para tratar sobre a segurança nos estados

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A CPI do Crime Organizado finalizou sem ouvir nomes importantes, aprovando 123 requerimentos, mas apenas 19 depoimentos foram colhidos.
  • Entre os convocados, 14 pessoas não compareceram e alguns obtiveram habeas corpus do STF.
  • A CPI não conseguiu ouvir a maioria dos governadores sobre segurança pública, exceto o de Santa Catarina.
  • O relatório final da CPI abordará indiciamentos e a atuação de facções, incluindo dados sobre corrupção e tentativas de prorrogação das atividades foram negadas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

STF concedeu habeas corpus para facultar ida de convocados à CPI Pedro França/Agência Senado - 25.03.2026

Sem ouvir nomes que eram considerados importantes para o trabalho, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado termina nesta terça-feira (14). Dos 123 requerimentos aprovados, entre convites e convocações, apenas 19 prestaram depoimento à comissão do Senado.

Durante o período, 14 das 34 pessoas com oitivas marcadas para prestar depoimento aos senadores não compareceram — o equivalente a 41%.


Nomes como o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e Daniel Vorcaro foram chamados mais de uma vez, mas tiveram habeas corpus concedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O motivo da convocação era a fraude financeira do Banco Master.

Cláudio Castro também teve o depoimento marcado diversas vezes. Na última convocação, prevista para o último dia 7, o ex-chefe do Executivo do Rio de Janeiro pediu para modificar a data para esta terça, prazo limite da CPI após mais de cinco meses da sua instalação. A troca foi feita, mas a equipe de Castro divulgou nessa segunda (13) que ele não poderia viajar a Brasília devido a um quadro de dores na lombar.


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Quando foi instalada, a comissão tinha como objetivo ouvir governadores e seus secretários de Segurança Pública de estados considerados bons exemplos ou onde a atuação do crime organizado é mais presente. Dos governadores, apenas o de Santa Catarina, Jorginho Mello, compareceu.

A CPI também aprovou 38 requerimentos para quebras de sigilo, mas teve suas ações enfraquecidas após decisões do Supremo que anularam as deliberações dos parlamentares.


Prorrogação e relatório

Os senadores tentaram prorrogar as atividades por mais 60 dias, sem sucesso. O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) chegou a se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na semana passada, para pedir a ampliação do prazo, mas teve o pedido negado.

Segundo Alcolumbre, o calendário seria prejudicado com a extensão dos trabalhos por ser ano eleitoral. A cúpula optou por não recorrer ao STF após a negativa.


Está na pauta desta terça a votação do relatório final. Além de propor indiciamentos, o documento irá detalhar a atuação das facções e milícias e a forma como o Brasil reage em cada estado contra o crime organizado; a situação específica do Rio de Janeiro e o caso do Banco Master e seus desdobramentos.

Dados obtidos pela CPI, de pagamentos milionários que teriam sido feitos a políticos e autoridades, também estarão no conteúdo. Se aprovado, o relatório será levado aos órgãos competentes.

De acordo com Vieira, mesmo com a interferência do Supremo, a CPI fez um bom trabalho e incomodou ao se aproximar do alto escalão da corrupção.

“Mesmo diante de fatores externos e de interferências diretas por parte do Supremo Tribunal Federal, incluindo decisões que chegam a definir aspectos como a presença e a fala dos convocados a depor na CPI, os trabalhos seguem em andamento. A CPI tem feito todo o possível para investigar a expansão do crime no Brasil, apesar dos entraves”, afirmou o relator.

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