Depoimentos na CPI que investiga Braskem por afundamento do solo em Maceió começam nesta terça
Dentre as cinco pessoas previstas para depor nesta semana, estão uma vítima e o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração
Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a empresa Braskem pelo afundamento do solo em Maceió (AL) que deixou 14 mil imóveis considerados inabitáveis começa a ouvir depoimentos nesta terça-feira (5) no Senado (leia mais abaixo sobre o caso). Para esta semana, estão previstos cinco convidados.
Confira abaixo quem vai depor nesta semana:
(terça-feira/5)
• Abel Galindo — engenheiro civil apontado como um dos profissionais que alertou sobre a fragilidade em uma das minas de sal-gema;
• José Geraldo Marques — doutor em ecologia e vítima, pois precisou sair de casa durante a evacuação dos bairros atingidos;
• Natallya de Almeida Levino — professora da Universidade Federal de Alagoas que coordena uma pesquisa sobre as dimensões econômica, social e ambiental do afundamento do solo nos cinco bairros de Maceió;
(quarta-feira/6)
• Mauro Henrique Moreira Sousa — diretor-geral da Agência Nacional de Mineração; e
• Thales Sampaio — ex-diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil Thales Sampaio, responsável pelos primeiros laudos apontando suspeita de afundamento do solo.
Esses professores devem dar a contribuição, com detalhes técnicos, do problema.
Com os depoimentos da semana, o parlamentar espera fechar o "primeiro ciclo" da CPI, o de "explicar o problema para que a sociedade possa saber com detalhes e nenhum viés".
Os requerimentos foram apresentados pelo senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL). Na defesa do pedido para ouvir Thales Sampaio, o parlamentar destacou a importância do depoimento para os trabalhos.
"É uma pessoa determinante para que se conseguisse responsabilizar a empresa Braskem. Começando com ele aqui, para que ele faça esse resgate histórico, ele colocará todos nós na mesma página", destacou.
A CPI já aprovou o plano de trabalho e pediu o compartilhamento de inquéritos da Polícia Federal, de dados do governo de Alagoas e de alertas feitos pela Agência Nacional de Mineração. A Petrobras também entrou na mira das apurações e deve enviar informações sobre as minas subterrâneas em Maceió.
Os senadores vão à capital alagoana para realizar diligências. O objetivo é investigar os efeitos da responsabilidade jurídica e socioambiental da Braskem e todas as companhias que antes ou em conjunto com a empresa tiveram ação direta ou indireta na exploração do minério.
Entenda
A extração de sal-gema tem sido realizada desde os anos 1970 nos arredores da Lagoa Mundaú, na capital alagoana. A partir de 2018, os bairros Pinheiro, Mutange e Bom Parto, situados próximos às operações, começaram a enfrentar sérios danos estruturais, incluindo afundamento do solo e formação de crateras em ruas e edifícios.
Foram 14 mil imóveis impactados e considerados inabitáveis, levando 55 mil pessoas a deixarem a área. O levantamento da Braskem aponta que 40 mil pessoas foram realocadas. As atividades de extração foram interrompidas em 2019.
A cidade permanece em alerta diante do risco iminente de colapso da mina da Braskem, localizada na região do antigo campo. Em fevereiro, a Defesa Civil reduziu a região delimitada, e a nova demarcação libera parte da área para os pescadores. A região mais próxima às minas continua interditada.













