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De auditoria das urnas a deepfakes: TSE analisa sugestões para adaptar eleições à era da IA

Tribunal recebeu número recorde de sugestões para definir regras que serão aplicadas nas eleições de outubro

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O TSE iniciou a coleta de sugestões para as normas das Eleições Gerais de 2026, recebendo mais de 1.400 contribuições.
  • As propostas incluirão ajustes na multa por desinformação e medidas de segurança para mulheres candidatas.
  • Sugestões também foram para melhorar a declaração de bens e indeferir registros de candidatos com ligações a organizações criminosas.
  • O evento reflete o compromisso da Justiça Eleitoral em promover a inclusão e a diversidade no processo eleitoral.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pelo sistema, presidente da República dividiria poderes com um primeiro-ministro
Tribunal realizou audiências públicas e recebeu mais de 1.400 contribuições Tânia Rêgo/Agência Brasil - 1.10.2024

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) realizou ao longo da semana passada uma série de audiências públicas para ouvir sugestões de autoridades, partidos políticos e representantes da sociedade civil que ajudarão a definir as regras eleitorais para o pleito deste ano. O tribunal disse ter recebido 1.431 contribuições, uma quantidade recorde, segundo o TSE.

Foram apresentadas propostas abrangendo temas como a auditoria e fiscalização das urnas eletrônicas e do sistema de votação, o registro de candidaturas, o uso ético da inteligência artificial e o combate à desinformação. Ao longo das audiências, foram debatidos mecanismos para garantir a transparência, a segurança jurídica e a inclusão de grupos minorizados no processo democrático.

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As propostas serão analisadas tecnicamente pelos membros do TSE. Dessa forma, as regras para as eleições de outubro poderão ser ajustadas com base nas manifestações.

Os textos finais serão debatidos e votados no plenário do TSE em sessão administrativa. As resoluções devem ser aprovadas até o dia 5 de março. Veja algumas das propostas recebidas pelo tribunal a seguir.

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Auditoria das urnas

As sugestões para auditoria e fiscalização das urnas foram sobre clareza comunicacional, acessibilidade e modernização técnica.

A PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) sugeriu que o TSE apresente de forma mais clara ao público a diferença entre o teste de integridade com biometria e o teste sem biometria. A justificativa é que, devido às alterações recentes que permitem filmagem e transmissão ao vivo no teste com biometria, pode haver confusão ou desinformação se o eleitor leigo não compreender que esses testes possuem objetivos e formas de execução distintos.

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O TSE também recebeu uma sugestão para haver permissão explícita do uso de ferramentas computacionais avançadas, inclusive baseadas em inteligência artificial, como instrumentos auxiliares de análise técnica durante a auditoria das urnas, desde que sob supervisão humana.

“Vivemos em um ambiente de sistemas complexos com grande volume de dados e registros técnicos. É plenamente possível e desejável que a Justiça Eleitoral utilize ferramentas computacionais avançadas, inclusive baseadas em inteligência artificial, como instrumentos auxiliares de análise, sempre com supervisão humana e sem qualquer automatização decisória. Incorporar essa possibilidade de forma expressa demonstra alinhamento com boas práticas internacionais de auditoria técnica”, disse o advogado Fernando Peres, que apresentou a proposta.

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Também sugeriu-se a criação de relatórios resumidos com caráter explicativo para que o cidadão comum compreenda como o sistema de votação é fiscalizado, preenchendo o vácuo informacional que muitas vezes é ocupado por desinformação.

Regras para inteligência artificial

Foram apresentadas diferentes sugestões ao TSE sobre o uso de inteligência artificial ao longo do processo eleitoral. A PGE, por exemplo, propôs multa de R$ 5.000 a R$ 30 mil para quem divulgar desinformação gerada por IA.

A Rede de Governança Brasil propôs vedar o uso de IA para simular a presença de candidato ou gerar documentos falsos, proibindo a criação de “avatares eleitorais” ou identidades fabricadas que não existem politicamente.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o Ministério da Justiça e Segurança Pública entregaram propostas para a regulação preventiva e repressiva da inteligência artificial e das chamadas deepfakes.

A Secom sugeriu que os deveres não recaiam apenas sobre as redes sociais, usuários finais ou campanhas, mas também sobre os provedores de sistemas de IA. Além disso, o órgão propôs sistemas automatizados sejam proibidos de recomandar candidaturas, visando preservar a neutralidade informacional e evitar distorções no debate público.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública recomendou normas específicas para que os provedores inteligência artificial adotem medidas preventivas para impedir a utilização maliciosa da ferramenta no contexto eleitoral.

Segundo a sugestão da pasta, é necessário definir quais são as obrigações dos provedores de inteligência artificial generativa, tratando-os como atores centrais na garantia da integridade do pleito.

“As contribuições encaminhadas pelo Governo do Brasil partem de uma premissa central. O processo eleitoral de 2026 se dará em um ambiente tecnológico substancialmente distinto daquele de eleições anteriores, marcado pela consolidação de ferramentas de IA generativa, pela amplificação algorítmica de conteúdos e por novas formas de financiamento indireto da circulação de mensagens político-eleitorais”, destacou a chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação Social, Samara Castro.

Outras sugestões

Entre outros temas, o TSE recebeu sugestões como a previsão explícita do custeio de segurança privada e ações de prevenção à violência contra candidatas.

Na prática, a sugestão é que a despesa seja condicionada a um pedido formal da parte interessada, com limites de gastos e observância das normas que regulam a segurança privada.

Também foram apresentadas propostas para aprimorar a declaração de bens, com defesa da volta ao modelo completo e detalhado. O objetivo é permitir a fiscalização patrimonial efetiva, a identificação de conflitos de interesse e o alinhamento a compromissos internacionais anticorrupção.

Foi defendida ainda a inclusão, na resolução de registro de candidaturas, da possibilidade de indeferimento de registros quando houver elementos que indiquem vínculos com organizações criminosas, com base em certidões criminais e outras provas.

Os participantes fizeram propostas para melhorar duas resoluções inéditas do TSE: uma sobre transporte de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida e outra que consolida as normas relacionadas ao cidadão nas eleições.

Quanto à proibição de propaganda irregular no ambiente de trabalho, como forma de proteger a liberdade de escolha dos trabalhadores, foi proposta a criação de um rol exemplificativo de condutas ilícitas.

Democracia

Segundo o ministro Nunes Marques, que será o presidente da Corte em 2026, as audiências realizadas pelo TSE demonstraram o compromisso da Justiça Eleitoral de enfrentar as desigualdades.

“Trata-se de levar a institucionalidade democrática até essas realidades específicas, compreendendo e valorizando as vivências, identidades e particularidades culturais, e assegurando que os instrumentos de incentivo e de garantia recentemente instituídos se traduzam em participação efetiva, plural e inclusiva no processo eleitoral”, ressaltou o ministro.

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