Defesa de Zambelli recorre de decisão que aceitou extradição da ex-deputada
Recurso será analisado em até seis meses; decisão final sobre envio da ex-deputada ao Brasil caberá ao ministro da Justiça italiano
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A defesa da ex-deputada Carla Zambelli recorreu da decisão da Justiça italiana que aceitou o pedido de extradição da ex-parlamentar. O processo, que tramitava em sigilo, agora entra em uma nova etapa.
Segundo a defesa, o caso será analisado pela instância superior do país europeu, a Corte de Cassação de Roma, responsável por avaliar aspectos legais do processo, sem o reexame de provas.
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O tribunal tem um prazo de até seis meses para julgar o recurso. Após essa fase, a decisão final caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.
“Desde o início, apontamos falhas no processo, tanto na ausência de correspondência do ”crime de hackeragem” na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado”, ressalta o advogado Fábio Pagnozzi.
Extradição
A decisão para extraditar Zambelli ocorreu após a rejeição do pedido da defesa para a troca dos juízes responsáveis pela análise do processo, discutido ao longo de quatro adiamentos.
A Embaixada do Brasil em Roma foi informada da ação pelos advogados. Ainda cabe recurso no âmbito judicial antes de o assunto ser submetido à decisão final do governo italiano.
Caso ocorra o retorno da ex-parlamentar ao Brasil, existe a possibilidade de cumprimento de pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, situada a cerca de 35 km do centro de Brasília. A unidade prisional tem capacidade para 1.062 detentas e abriga 809 presas atualmente.
Entenda o caso
Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Zambelli por invasão ao sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A ação contou com auxílio do hacker Walter Delgatti, também condenado no processo.
Mesmo após essa decisão, não havia ordem de prisão contra Zambelli quando ela deixou o país. A medida foi determinada apenas depois de sua partida.
O ministro Alexandre de Moraes exigiu o bloqueio de passaportes, salários e benefícios parlamentares, bem como a cobrança de uma multa de R$ 50 mil por publicações consideradas irregulares na internet.
Com a confirmação de que Carla Zambelli havia deixado o território nacional, o STF concluiu o julgamento e decretou o trânsito em julgado do caso, o que impediu a apresentação de novos recursos. Na sequência, Moraes formalizou o pedido de extradição.
Zambelli declarou ter saído do Brasil por motivos de saúde e em defesa da liberdade de expressão. Antes de chegar à Itália, país do qual possui cidadania, ela passou pelos Estados Unidos.
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