Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Deputados da base de Lula vão aos Estados Unidos por ajuda contra Flávio, PCC e tarifaço

Pix também está na pauta, uma vez que os EUA mencionaram o sistema de pagamento para propor uma tarifa de 25%

Estadão Conteúdo

Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Deputados da base de Lula viajaram aos EUA para contrapor a articulação da família Bolsonaro e buscar apoio contra tarifas comerciais impostas ao Brasil.
  • Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump antes do anúncio das novas tarifas, buscando se desvincular do desgaste associado à medida.
  • A comitiva brasileira busca apoio dos democratas para investigar supostas ligações entre o PCC e estruturas financeiras associadas à família Bolsonaro.
  • Os deputados também pretendem discutir a classificação de facções criminosas como terroristas e a manutenção de relações comerciais sem tarifas excessivas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Deputados da base de Lula viajaram aos EUA
Pedro Uczai, André Janones, Jandira Feghali e Pedro Campos compõem a comitiva Reprodução/Instagram/@pedro.uczai

Deputados federais da base do governo Lula viajaram aos Estados Unidos para se contrapor à articulação da família Bolsonaro junto à Casa Branca e pedir ajuda da oposição ao governo Trump contra o tarifaço imposto ao Brasil.

A viagem acontece cerca de dez dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se reunir com o presidente Donald Trump em Washington — encontro que antecedeu o anúncio da Casa Branca de novas tarifas comerciais sobre o Brasil.


Depois de ter capitalizado em cima de outra decisão do governo americano, que passou a classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações narcoterroristas, Flávio agora tenta se livrar do desgaste de ser associado a mais um tarifaço com digitais da família Bolsonaro.

A comitiva lulista que desembarcou em Washington é composta por Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Rede-MG) e Pedro Campos (PSB-PE). Apesar de prever encontros com parlamentares democratas para discutir aspectos técnicos como combate ao crime organizado e relações comerciais, a agenda tem um simbolismo eleitoral.


“Chegou o grande dia em que a gente vai arrancar a máscara do Flávio Bolsonaro aqui nos Estados Unidos”, declarou Janones em um vídeo gravado pelo grupo em frente ao Congresso americano.

Veja Também

Os brasileiros dizem ter levado informações públicas, reportagens, documentos e bases de dados para pedir aos democratas ajuda com a investigação de uma suposta rede criminosa nos Estados Unidos, vinculada a Daniel Vorcaro (dono do extinto Banco Master), a estruturas financeiras relacionadas à Reag, a fundos sob suspeita de conexão com lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) e a “agentes políticos associados à família Bolsonaro”.


O caso Master é a maior fraude financeira da história do país, levando à liquidação da instituição pelo Banco Central e a rombos no BRB (Banco Regional de Brasília) e fundos de previdência de municípios e estados pelo Brasil. A magnitude do escândalo tem demolido a reputação de políticos próximos a Vorcaro.

Os deputados brasileiros alegam haver uma possível “triangulação financeira transnacional” ao mencionar o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio a Vorcaro para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte do dinheiro foi repassada a um fundo no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo Bolsonaro, irmão do presidenciável.


“A hipótese investigativa central é a possível utilização dos Estados Unidos como etapa de ocultação, dissimulação ou integração de valores originados de crimes antecedentes investigados no Brasil”, diz o trecho de um documento disponibilizado pela comitiva.

Além do foco em Flávio para desgastar o que deve ser o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição, a viagem mira outros dois pontos de desgaste ao Palácio do Planalto: o crime organizado e as tarifas.

“Nós vamos pedir várias coisas. Estamos trazendo insumos, documentos, dados sobre o Brasil. Precisamos intensificar a cooperação, não a intervenção. Queremos pedir o cancelamento das tarifas contra o Brasil”, afirmou Jandira no mesmo vídeo.

A ideia, segundo eles, é ter ajuda dos congressistas americanos para apurar a possível contaminação de recursos que circularam entre Vorcaro, Master e fundos vinculados à Reag Investimentos com estruturas mencionadas em investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.

A relação da gestora Reag com o PCC foi revelada em 2025 pela Operação Carbono Oculto, maior operação contra o crime organizado da história do país, que contou com cooperação da Receita Federal, do Ministério Público de São Paulo e de outras autoridades.

Defesa ao Pix

O Pix também está na pauta dos deputados, uma vez que o sistema de pagamento foi citado pelos Estados Unidos como parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos Estados Unidos.

“Queremos manter relações comerciais com os Estados Unidos, mas sem intervenção, sem tarifaço e sem querer eliminar o nosso Pix, que é patrimônio nacional”, afirmou Uczai numa publicação nas redes sociais.

O bolsonarismo vem defendendo há mais de um ano o enquadramento do PCC e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, como parte de seu discurso de endurecimento no combate ao crime.

Especialistas em segurança pública, autoridades e o governo Lula são contra a iniciativa, por entenderem que ela abre brecha para uma possível interferência militar estrangeira em território brasileiro, sob o pretexto de combater o terrorismo, e até sanções econômicas internacionais.

Contudo, em entrevista exclusiva ao R7, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, disse que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos não contempla operações militares no Brasil.

“A nossa lei é muito clara. Essa lei das designações não contempla nenhum tipo de ação militar. É o Departamento de Guerra dos Estados Unidos que tem responsabilidade pelas ações militares”, afirmou.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.