Deputados denunciam corte de R$ 1,5 bilhão na saúde de PE em quatro anos; governo nega
Redução de 17% nos investimentos da rede estadual agrava cenário de precariedade em unidades de referência do estado
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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A rede pública de saúde de Pernambuco enfrenta denúncias de agravamento da crise nos principais hospitais estaduais após um corte de 17% nos investimentos na área. Um relatório apresentado nesta terça-feira (26) por deputados estaduais da oposição aponta que o estado teria reduzido em R$ 1,5 bilhão os recursos destinados à saúde nos últimos quatro anos.
A reportagem recebeu denúncias sobre superlotação, infiltrações, obras inacabadas, banheiros em condições precárias e pacientes acomodados nos corredores de hospitais públicos de Pernambuco. Entre os casos relatados, estão o desabamento de parte do teto do Hospital da Restauração, uma UTI fechada no Hospital Otávio de Freitas e materiais para conservação de vacinas descartados no Hospital Getúlio Vargas.
Procurada pela reportagem, a assessoria da governadora Raquel Lyra (PSD) negou a existência de cortes e atribuiu o relatório a uma articulação política de deputados da oposição.
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Denúncias
Segundo o relatório apresentado pela oposição, o documento detalha o cenário crítico em unidades específicas da rede estadual. No Hospital Otávio de Freitas, uma UTI inaugurada em março deste ano está fechada, enquanto pacientes aguardam atendimento nos corredores da unidade. Os banheiros do hospital apresentam condições precárias de higiene e conservação.
No Hospital Agamenon Magalhães, acompanhantes de pacientes foram flagrados dormindo no chão ao lado de tubulações com forte odor, em meio à superlotação da unidade.
Já Hospital Getúlio Vargas, denúncias mostram materiais utilizados para conservação de vacinas e medicamentos descartados no lixo, mesmo dentro do prazo de validade. Também há registros de banheiros sujos, corredores lotados e acompanhantes acomodados no chão ao lado de pacientes.
Outro lado
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco afirmou que o estado vive “a maior série histórica de aplicação de recursos na saúde recente”.
“Entre 2022 e 2025, o orçamento total executado na área saltou de R$ 8,67 bilhões para R$ 11,42 bilhões, gerando um crescimento real de R$ 2,74 bilhões (+31,6%) no atendimento à população”, informou a pasta.
Segundo a secretaria, R$ 6,2 bilhões foram provenientes do tesouro estadual, o maior aporte da série histórica entre 2022 e 2025, com incremento de R$ 518 milhões em relação a 2024.
“A atual gestão abriu 670 novos leitos hospitalares definitivos, descentralizando a assistência com a expansão de UTIs em municípios como Petrolina, Ouricuri, Arcoverde, Afogados da Ingazeira, Vitória de Santo Antão, Garanhuns e Recife”, afirmou o governo.
A pasta também negou redução de leitos permanentes desde 2023. “Ressalta-se que, para os hospitais mencionados, foram abertos leitos na mesma quantidade e perfil, garantindo a substituição, sem repercussão no número total de leitos da rede”, declarou.
Ainda de acordo com o governo estadual, está em execução o primeiro contrato de manutenção preventiva e corretiva da história de Pernambuco, com investimento imediato de R$ 328,8 milhões em obras.
O estado informou também que há um plano estruturante de R$ 1,21 bilhão em novos investimentos, incluindo a construção de quatro maternidades regionais, do Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, de um novo prédio para o Hospital Regional do Agreste e da implantação de novos Centros Especializados em Reabilitação (CERs).
“O Governo de Pernambuco segue focado em descentralizar a saúde, fortalecer o SUS e garantir um atendimento digno e humanizado no interior e na Região Metropolitana”, concluiu a nota.
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