Do isolamento na PF à Papudinha: relembre a cronologia do caso Vorcaro
Sem apresentar fatos novos à investigação, ex-banqueiro teve delação rejeitada e foi transferido para o sistema prisional do DF
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi transferido na quinta-feira (25) da carceragem da Polícia Federal em Brasília para o Complexo Penitenciário da Papuda.
A movimentação ocorreu por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, após o empresário permanecer detido por pouco mais de três meses na Superintendência da PF.
A transferência para a unidade prisional conhecida como Papudinha foi ordenada após a PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) rejeitarem duas propostas de acordo de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro.
Segundo a avaliação dos órgãos investigadores, os depoimentos prestados não trouxeram elementos inéditos ou provas que justificassem a concessão de benefícios jurídicos a ele.
Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Banco Master.
Com a negativa do pedido de conversão da prisão para o regime domiciliar, o ex-banqueiro agora aguarda o prosseguimento do processo no sistema prisional comum.
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Investigação
A investigação sobre o Banco Master avançou em 2025 após a negociação que a instituição abriu com o BRB (Banco Regional de Brasília), que tentou comprar os ativos da entidade comandada por Vorcaro. O negócio, contudo, foi barrado pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial do Master.
A apuração detectou indícios de que o Master vendeu ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.
Foram essas informações que resultaram na operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. Naquele mês, Vorcaro foi preso pela primeira vez, mas depois foi solto mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Na operação, a PF apreendeu celulares do empresário. Um dos aparelhos revelou detalhes além das fraudes financeiras e uma ampla rede de influência de Vorcaro no mundo político, mostrando ligação dele com ministros do STF e parlamentares.
Entre os citados, estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo a PF, Ciro Nogueira teria recebido repasses mensais de R$ 300 mil, além de viagens de luxo custeadas a Paris e aos Alpes Franceses.
Hugo Motta aparece no inquérito em razão da hospedagem, ao lado de Ciro, em suítes de luxo no hotel Four Seasons, em Lisboa, durante um evento jurídico realizado em 2024.
O cerco a Vorcaro também atingiu seu núcleo familiar. Em maio deste ano, Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário, foi preso sob suspeita de participação ativa no esquema investigado, incluindo repasses financeiros e ordens relacionadas a ações de intimidação física e cibernética.
Primeira prisão
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Na ocasião, o empresário foi detido quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, em meio ao avanço das investigações envolvendo o Master.
Após cerca de uma semana preso, Vorcaro obteve liberdade para cumprir medidas cautelares, incluindo prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica.
Em março deste ano, no entanto, ele voltou a ser preso e permaneceu sob custódia da Polícia Federal em Brasília enquanto tentava negociar um acordo de colaboração.
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