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Eduardo Cunha pede ao STF para suspender processos que foram motivados por delação de Funaro

Defesa do ex-presidente da Câmara argumentam que os procuradores sabiam da falta de credibilidade do delator

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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Cunha pede ao STF para suspender processos
Cunha pede ao STF para suspender processos Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-deputado federal Eduardo Cunha pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da tramitação de todos processos e investigações contra ele que se utilizam da delação premiada de Lúcio Funaro. A defesa quer a interrupção até que se obtenha acesso à íntegra das conversas da Operação Spoofing, que investiga a invasão de dispositivos eletrônicos de autoridades como o ex-juiz Sergio Moro e procuradores.

De acordo com a defesa de Cunha, existem diversos processos e inquéritos tramitando contra Eduardo Cunha que se utilizam da delação premiada de Lúcio Funaro, mas o acesso parcial ao material da Spoofing indicou que os procuradores sabiam da falta de credibilidade da palavra do delator. 


"Com o acesso parcial às mensagens da Operação Spoofing foi possível identificar que o pivô da acusação contra Eduardo Cunha (o delator Lúcio Funaro) era famoso no MPF por 'vender fumaça', ou seja, produzir falsas acusações em grandes operações da PF", disse. 

Cunha cita 'falta de confiança' em Funaro
Cunha cita 'falta de confiança' em Funaro Reprodução/Justiça Federal

A defesa disse que a "falta de confiança no delator era praticamente um consenso na ‘Lava-jato’ e mesmo assim realizou-se novo acordo sem qualquer credibilidade, sabendo que viriam falsas incriminações". 


"Há situações que endossam a necessidade de determinar o acesso à integralidade dos dados da Spoofing, pois podem corroborar a utilização da delação de Funaro de forma ilegal com a finalidade de produzir falsas acusações contra Eduardo Cunha", argumentam os advogadas. 

Em maio de 2021, o então ministro do STF Ricardo Lewandowski concedeu pedido do ex-presidente da Câmara para ter acesso a mensagens que citem seu nome no âmbito da Operação Spoofing.


Em decisão monocrática, Lewandowski autorizou somente cópias dos elementos de prova que não estejam sob sigilo e que contenham mensagens eletrônicas com menção nominal expressa a Cunha. De acordo com o ministro, os documentos solicitados podem contribuir para o exercício de sua ampla defesa nos autos das ações penais às quais responde.

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O relator lembrou que havia negado acesso à íntegra do material, mas que há posicionamento da Corte para assegurar a ampla defesa e do contraditório aos réus, o que garante o acesso aos termos em que tenham sido citados e em que não haja diligências em curso que possam ser prejudicadas.

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