Eleições: mercado imobiliário é mais afetado pelos juros do que pelas urnas, segundo levantamento
Nas últimas quatro eleições presidenciais, setor ficou mais preocupado com o crédito e não com resultado do pleito
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O mercado imobiliário está mais preocupado com o comportamento da Selic, a taxa básica de juros, e do crédito disponível do que com o resultado das urnas. Essa é a conclusão do levantamento dos Indicadores Imobiliários Nacionais feito pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) sobre as últimas quatro eleições presidenciais.
Segundo a CBIC, nos meses que antecedem o primeiro turno, parte dos compradores e incorporadoras costuma adotar postura mais cautelosa, já que decisões de longo prazo, como financiar um imóvel ou lançar um novo empreendimento, dependem de expectativas sobre os rumos da economia.
O fenômeno, no entanto, não é exclusivo do Brasil; nos Estados Unidos, análises do mercado imobiliário identificaram quedas nas vendas de imóveis novos entre outubro e novembro em boa parte dos anos de eleição presidencial, ainda que os próprios estudos ressaltem que juros e sazonalidade também influenciam esse movimento.
O principal canal de transmissão entre a política e o mercado imobiliário, contudo, não é o resultado da eleição em si, mas o crédito. As expectativas sobre a política fiscal do próximo governo podem influenciar a trajetória dos juros, e são os juros que determinam boa parte do custo do financiamento habitacional, um dos motores do mercado imobiliário brasileiro.
Definido o resultado do pleito, é comum observar uma retomada de confiança, à medida que o mercado passa a operar com mais previsibilidade sobre as regras do jogo pelos anos seguintes.
A pesquisa mostra que os dados históricos sustentam esse diagnóstico. Em 2018, ano que reuniu Copa do Mundo e eleição presidencial, as vendas de imóveis residenciais novos cresceram cerca de 16% em relação ao ano anterior.
Já em 2019, primeiro ano do novo governo eleito, o setor fechou o período com alta de 15% em lançamentos e 10% em vendas frente a 2018, nos cinco primeiros meses daquele ano, o volume de crédito financiado cresceu quase 40%, ultrapassando R$ 27 bilhões e viabilizando a compra de 104 mil imóveis, 31% a mais que no mesmo intervalo do ano anterior.
Mesmo em 2020, no auge da pandemia, um choque muito mais disruptivo para a economia do que qualquer eleição, as vendas de imóveis novos cresceram cerca de 8% no país, impulsionadas por juros historicamente baixos e pela busca por mais espaço com a chegada do home office.
Em 2022, com a Selic em dois dígitos após o ciclo de aperto monetário, o crédito imobiliário somou aproximadamente R$ 241 bilhões, o segundo maior volume da série histórica até então.
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Cenário deste ano
Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, o comportamento do mercado em anos eleitorais reforça que decisões de compra e venda de imóveis não devem ser pautadas apenas pela expectativa política.
“O histórico mostra que o mercado imobiliário não funciona como um interruptor que liga ou desliga a cada quatro anos. Os pilares do setor são de Estado, e não de governo; a demanda estrutural por moradia não desaparece a cada ciclo eleitoral”, afirma.
O setor chega a 2026 combinando juros ainda elevados, expectativas de flexibilização monetária e mudanças provocadas pela reforma tributária, cenário que, segundo especialistas, já vinha sendo precificado pelo mercado antes mesmo do início da campanha eleitoral.
A avaliação é de que o resultado das urnas influencia expectativas, juros, crédito e confiança no médio prazo, mas não isoladamente, os movimentos do setor seguem sendo determinados por fundamentos que existem antes, durante e depois de cada eleição.
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