Embaixador brasileiro segue sem data para retornar à Argentina
Relação entre os países segue estremecida após falas de Javier Milei sobre Lula e Alexandre de Moraes
Brasília|Caroline Aguiar, da RECORD
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, se reuniram nesta sexta-feira (31) e, até o momento, decidiram que Bitelli deve ficar no Brasil.
Este foi o terceiro encontro entre os dois para reavaliar a relação Brasil-Argentina, depois que o embaixador foi chamado de volta a Brasília como sinal de descontentamento do governo brasileiro.
A avaliação do governo é de que Bitelli deve permanecer no Brasil até que a situação diplomática entre os países esteja mais controlada e a poeira baixe, o que também vai depender das próximas atitudes do presidente Javier Milei e demais autoridades argentinas.
As relações estão estremecidas desde o último sábado (25), quando Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República.
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A expectativa do Brasil é de que Milei se exima de fazer novos comentários nos próximos dias, o que poderia amenizar a situação e viabilizar a retomada da normalidade das relações. Se isso acontecer, o embaixador poderia retornar a Buenos Aires nas próximas semanas. A situação vai continuar sendo monitorada por Vieira e Bitelli periodicamente.
A estratégia do governo brasileiro é manter a reação no nível diplomático, evitando uma resposta direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma eventual réplica do petista poderia, na avaliação do governo, ir para o território das críticas ou ofensas pessoais, rebaixando a discussão ao nível dos comentários feitos pelo argentino, o que o Planalto considera inadequado.
Relações estremecidas
Durante o evento que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou o presidente Lula de “presidiário” e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
O Brasil reagiu chamando o embaixador brasileiro de volta ao país e convocando o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, a dar explicações. Na linguagem diplomática, as duas medidas são sinalização de grave descontentamento. O embaixador brasileiro também esteve reunido por duas vezes com o presidente Lula para tratar da situação.
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