Fim da 6x1: entenda como ficam serviços essenciais e profissões com jornadas específicas
Profissonais da saúde, segurança e outras áreas com funcionamento ininterrupto devem ser beneficiados com o fim da escala atual
Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O fim da escala 6x1 no Brasil tem criado expectativas para todos os lados. Quem defende diz que o projeto vai beneficiar os trabalhadores e as empresas, com aumento de produtividade. Já os contrários acreditam que a mudança vai impactar negativamente o setor produtivo e o funcionamento do comércio.
Um argumento mais radical contra a proposta debatida no Congresso ainda diz que pessoas que querem ou precisam trabalhar mais serão proibidas de ultrapassar a carga horária. De acordo com o advogado e professor Fernando Moreira, não há essa possibilidade e a regra atual de horas extras deve continuar valendo.
“A legislação atual permite até duas horas extras diárias, e esses limites continuariam valendo, só que aí o teto acabaria sendo menor para configurar o que é hora extra. Hoje, hora extra é acima de 44 horas semanais. Com o novo teto, passaria a ser acima de 40 horas”, esclarece.
Escalas próprias
Outro ponto que tem sido polêmico são as categorias que demandam escalas específicas. Profissionais da saúde, segurança e aeronautas são alguns dos principais e que também devem ser beneficiados, apesar de não entrarem no modelo discutido.
O presidente da comissão especial criada para analisar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que discute a redução de jornada na Câmara, Alencar Santana (PT-SP), deu um exemplo do que vai acontecer com a área de saúde ou da segurança, que frequentemente utiliza o formato de 12 horas de trabalho e 36 de descanso.
“A escala deles é diferente, não é 5x2, nem 6x1. É uma escala específica. Mesmo tendo o limite de 8 horas diárias e 44 horas semanais, devido à essencialidade do serviço, as unidades de saúde e os órgãos de segurança continuarão funcionando nos fins de semana”, pontua o deputado.
Leia Mais
Segundo Alencar Santana, o principal ponto é que haverá um ganho, já que, no acumulado do mês, a redução de jornada será significativa.
“Se a hora semanal passou para 40, considerando quatro semanas, ele vai ter um ganho de no mínimo 16 horas. Como esse ganho se efetivará, isso vai ser, por exemplo, discutido no projeto de lei. Por isso que é importante o seu debate, a sua análise e a sua aprovação”, exemplifica.
A ideia é que a PEC determine a jornada máxima, enquanto o projeto de lei enviado pelo Executivo ficará com as especificidades, inclusive das categorias.
Sem grandes mudanças
Fernando Moreira tranquiliza, explicando que nada vai parar de funcionar e essas áreas essenciais serão minimamente afetadas, porque elas já contam com convenções coletivas que regulam esses horários.
“Não haverá uma grande alteração nessa questão. Esses setores vão ser muito pouco afetados, diferente da indústria e comércio”, comenta.
O advogado ainda ressalta que muitos setores já trabalham abaixo dessa carga horária semanal máxima no Brasil e que a aprovação com o limite de 40 horas não será uma grande mudança para a maioria das áreas.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a média de horas trabalhadas semanalmente no país é de 39,1.
Moreira diz que a grande preocupação deve ser para setores que têm contato direto com o consumidor, como o varejo, mas que a saída deve ser uma boa gestão e uso da tecnologia. Para ele, o foco deve ser em aumentar a produtividade e criar estratégias para otimizar os fluxos.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp.













