Gleisi Hoffmann quer declarar aliado de Trump persona non grata após falas sobre brasileiras
Paolo Zampolli referiu-se às mulheres do Brasil como uma ‘raça maldita’ e afirmou que elas são ‘programadas para criar confusão’
Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) apresentou nesta segunda-feira (27) duas iniciativas no Congresso Nacional em resposta às declarações consideradas ofensivas contra mulheres brasileiras feitas por Paolo Zampolli, conselheiro do presidente Donald Trump.
As propostas buscam declarar o empresário ítalo-americano “persona non grata” tanto no território nacional quanto no âmbito da Câmara dos Deputados.
Segundo a parlamentar, as falas atribuídas a Zampolli têm caráter “misógino, discriminatório e ofensivo à dignidade do povo brasileiro”, o que justificaria uma resposta institucional e diplomática do país.
Paolo Zampolli atualmente é enviado especial para parcerias globais do governo Donald Trump. Ele foi a pessoa que apresentou Trump à sua atual esposa, Melania Knauss, em 1998.
Projetos
O primeiro texto é um projeto de lei que prevê a declaração de Zampolli como persona non grata em todo o Brasil.
A proposta determina que o Poder Executivo adote medidas para impedir o ingresso, a permanência ou o exercício de atividades oficiais do estrangeiro no país, com base em princípios como soberania nacional, dignidade da pessoa humana e igualdade.
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A iniciativa também cita a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017). Como justificativa, Gleisi afirma que a liberdade de expressão não pode ser usada para legitimar ataques coletivos ou discursos misóginos.
“Quando tais declarações partem de pessoa vinculada a ambiente político estrangeiro, a ofensa ultrapassa o campo da opinião individual e assume dimensão diplomática, política e nacional”, ressaltou.
A proposta declara Zampolli persona non grata no âmbito da Câmara dos Deputados, formaliza repúdio às declarações e recomenda ao Ministério das Relações Exteriores a adoção de medidas diplomáticas, como pedido de esclarecimentos e eventual exigência de retratação pública.
‘Respeito e reciprocidade’
Em uma entrevista à emissora italiana RAI, Zampolli afirmou que brasileiras seriam “programadas” para causar confusão. “As mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui [Estados Unidos], são programadas para causar problemas”.
O comentário foi feito quando o conselheiro do republicano comentava sobre sua relação com a brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase 20 anos.
Ao anunciar as medidas, Gleisi Hoffmann afirmou que o Brasil deve reagir com firmeza a ataques vindos de agentes estrangeiros, especialmente quando atingem mulheres brasileiras.
“As mulheres brasileiras não serão tratadas com desprezo por aliado de Trump, representante estrangeiro ou qualquer pessoa que ache que pode humilhar o Brasil impunemente. Relação diplomática exige respeito, reciprocidade e soberania”, comentou.
A expressão persona non grata é tradicional no direito diplomático e costuma ser utilizada por países para indicar que determinado representante estrangeiro não é bem-vindo. Na prática, pode levar à retirada de credenciais diplomáticas ou até à expulsão do indivíduo, dependendo do caso.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Letícia de Souza, editora de texto.
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