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Lira e Haddad negociam alternativa para impostos na folha de pagamento

Uma das alternativas estudadas é a edição de nova medida provisória sem reonerar os 17 setores que mais empregam

Brasília|Hellen Leite e Bruna Lima, do R7, em Brasília

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Arthur Lira e Fernando Haddad discutem medidas econômicas
Arthur Lira e Fernando Haddad discutem medidas econômicas Marina Ramos/Câmara dos Deputados - 18/04/2023

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), se reúnem nesta quinta-feira (18) para a negociação de uma alternativa à medida provisória que retomou impostos sobre a folha de pagamento. O tema gerou embate entre a equipe econômica do governo e o Congresso. No fim do ano passado, o governo federal tentou driblar a decisão do Parlamento e reonerar os 17 setores da economia que mais empregam no país.

Com a reação do Congresso à decisão do governo, Haddad busca uma alternativa para a desoneração. Ele já se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de ter tido encontros com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e com os líderes do governo na Câmara e no Senado, José Guimarães (PT-CE) e Jaques Wagner (PT-BA) respectivamente.

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O R7 apurou que Lira deve escutar o que Haddad tem a propor, mas qualquer decisão deve ocorrer somente em fevereiro, quando as atividades parlamentares forem retomadas e for possível negociar com os líderes partidários.

Um dos modelos que está em discussão prevê que o governo deve cancelar a MP que trata da reoneração, o que faria com que a decisão do Congresso de prorrogar a medida até 2027 prevalecesse. Os outros dois temas tratados na MP seriam enviados por meio de nova medida provisória ou por projeto de lei.

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Além da reoneração da folha de pagamento, a medida provisória também limita a compensação de créditos decorrentes de decisões judiciais e revoga benefícios fiscais concedidos no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

Oficialmente, Haddad tem evitado falar sobre os detalhes da proposta, mas disse que o governo está disposto a negociar com o Congresso e com os setores afetados. Segundo a equipe econômica, a medida provisória visa evitar uma renúncia fiscal de R$ 32 bilhões.

A desoneração de 17 setores, responsáveis por 9 milhões de empregos, teve a vigência prorrogada até 2027 em votação que contou com amplo apoio do Congresso Nacional. Os parlamentares decidiram que, em vez de o empresário pagar 20% sobre a folha do funcionário, o tributo pode ser calculado com a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa, que varia, conforme o setor, de 1% a 4,5%.

A medida provisória do governo retoma o imposto sobre a folha, mas gradualmente. Pelo texto, o imposto incidirá de forma diferente para dois grupos:

• o primeiro grupo engloba atividades como transporte, comunicação e tecnologia da informação, cuja tributação funcionará da seguinte forma: 10% em 2024, 12,5% em 2025, 15% em 2026 e 17,5% em 2027;

• o segundo grupo inclui atividades como engenharia civil, indústria têxtil e editorial, cuja tributação funcionará da seguinte forma: 15% em 2024, 16,25% em 2025, 17,5% em 2026 e 18,75% em 2027.

Sem a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia, 1 milhão de vagas de emprego podem ser perdidas, segundo levantamento feito por associações, entidades de classe e sindicatos.

Reação do Congresso

A reoneração da folha gerou um mal-estar no Congresso Nacional. Isso porque, o Parlamento já havia aprovado, por ampla maioria, o projeto de lei que prorrogava a desoneração até 2027. O governo acabou vetando a medida, mas o Congresso derrubou a decisão do Executivo.

O envio da medida no sentido contrário do projeto aprovado pelo Congresso foi lido por deputados e senadores como uma "afronta" e uma a tentativa do governo em impor uma agenda que não se sustenta no plenário. A maioria dos parlamentares defende a derrubada da matéria, mas os líderes do governo ainda apostam no diálogo. 

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