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Caso Master caminha para fase de consolidação de provas com prisão de ex-chefe do BRB

Nova fase da Operação Compliance Zero aprofunda análise de provas, mira corrupção no BRB e pode levar a novas denúncias

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A nova fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
  • As investigações se concentram em corrupção na alta gestão do BRB, com a possibilidade de novas denúncias.
  • A Polícia Federal encontrou evidências de possíveis pagamentos ilícitos envolvendo imóveis avaliados em cerca de R$ 140 milhões.
  • A defesa de Paulo Henrique Costa considera a prisão desnecessária e planeja recorrer da decisão, enquanto investigações continuam em sigilo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Paulo Henrique Costa é alvo da Operação Compliance Zero, da PF Divulgação/ CLDF - Arquivo

A prisão do ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Paulo Henrique Costa, inaugura uma nova fase da Operação Compliance Zero, que agora entra em um estágio decisivo: a análise aprofundada do material apreendido, o avanço das quebras de sigilo e a possível apresentação de novas denúncias contra agentes públicos e operadores do esquema. A Polícia Federal afirma que as investigações continuam e que novos desdobramentos são considerados inevitáveis diante da complexidade do caso.

A quarta etapa da operação foi deflagrada com foco direto no BRB e em suspeitas de corrupção envolvendo a alta gestão da instituição. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e efetuadas duas prisões, incluindo a de Paulo Henrique Costa.


O delegado da Polícia Federal William Murad classificou a operação como “extremamente complexa” e ressaltou que os trabalhos avançam de forma gradual. “São muitos fatos e não conseguimos fazer tudo de uma vez só”, afirmou, indicando que novas fases podem ser deflagradas à medida que as provas forem analisadas.

O ministro da Justiça, Wellington Lima, também destacou que a ação faz parte de um esforço mais amplo para proteger o sistema financeiro e responsabilizar todos os envolvidos em fraudes e desvios. As investigações seguem sob sigilo, justamente para preservar a eficácia das diligências em andamento.


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Prisão

O ex-presidente do banco foi detido em sua residência, no Noroeste, em Brasília, e levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde passou por exame de corpo de delito. A ação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso.

Na decisão, o magistrado apontou que a prisão preventiva se justifica diante do risco de interferência nas investigações, especialmente por conta do nível de articulação dos investigados e da possibilidade de influência sobre testemunhas e provas.


Suspeita de propina milionária em imóveis

No centro da apuração está a suspeita de que Paulo Henrique Costa tenha recebido ao menos seis imóveis do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também preso.

De acordo com as investigações, os bens estariam avaliados em cerca de R$ 140 milhões e localizados em Brasília e São Paulo. A hipótese é de que os imóveis tenham sido repassados como vantagem indevida para viabilizar operações entre o BRB e o banco privado.


A Polícia Federal investiga se esses ativos foram utilizados como forma de ocultar pagamentos ilícitos, dentro de um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro.

Mensagens reforçam suspeitas

A nova fase também revelou trocas de mensagens entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Os diálogos indicam alinhamento sobre operações entre as instituições e tratativas relacionadas a imóveis.

Em uma das conversas, Costa afirma que trabalhava para “lançar a operação” envolvendo os bancos e menciona a necessidade de preparar material para enfrentar críticas. Em resposta, Vorcaro demonstra entusiasmo e indica que alinharia detalhes com outros envolvidos, além de mencionar a apresentação de um apartamento.

Segundo os investigadores, após essas conversas, teriam ocorrido visitas da mulher de Costa aos imóveis oferecidos, o que reforça a linha de apuração sobre o suposto pagamento de propina.

Entenda as fases da operação

A Operação Compliance Zero teve início em novembro do ano passado e vem sendo desdobrada em diferentes etapas:

  • 1ª fase (novembro): foco nas fraudes do Banco Master, com 25 mandados de busca, sete prisões e bloqueio de R$ 1,3 bilhão, além do afastamento do então presidente do BRB;
  • 2ª fase (janeiro): ampliação para fraudes no sistema financeiro nacional, com 42 mandados e cerca de R$ 6 bilhões bloqueados;
  • 3ª fase: aprofundamento das apurações, com foco em corrupção e obstrução de Justiça, incluindo o afastamento de servidores do Banco Central;
  • 4ª fase (atual): direcionada ao BRB e à atuação de seus gestores, com novas prisões e coleta de provas.

Defesa contesta prisão

A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que a prisão é “absolutamente desnecessária” e que irá recorrer da decisão. Segundo o advogado, o ex-presidente do BRB não representa risco à investigação nem à aplicação da lei penal.

A defesa do ex-governador Ibaneis Rocha sustenta que as mensagens analisadas demonstram que ele não interferiu nas operações do banco e que a instituição tinha autonomia técnica para tomar decisões.

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