Lula diz que desastre em Minas é resultado de ‘descaso histórico com o povo pobre’
Presidente afirma que tragédias em áreas vulneráveis são consequência da falta de políticas públicas e critica o fim do Ministério das Cidades
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (27) que o desastre ocorrido em Minas Gerais é consequência de um “descaso histórico com o povo pobre”. A declaração foi feita durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília.
O evento volta a ser realizado após 13 anos e tem como objetivo debater propostas que vão orientar o desenvolvimento urbano brasileiro nos próximos anos.
Para Lula, as tragédias ambientais que atingem áreas vulneráveis não são fruto do acaso, mas da falta de políticas públicas estruturadas. “O que estamos vendo em Minas Gerais é o resultado de um descaso histórico com o povo pobre neste país. O prefeito pode saber, de antemão, que determinada área não pode ser ocupada porque não garante condições adequadas de moradia, porque pode haver deslizamentos e enchentes”, afirmou.
O presidente defendeu investimentos contínuos em urbanização, saneamento básico e contenção de encostas. “Nunca na história do Brasil houve tanta preocupação em colocar dinheiro para cuidar da urbanização, do saneamento básico, das encostas. Porque, neste Brasil, os pobres são invisíveis”, disse.
Lula também criticou o fim do Ministério das Cidades em gestões anteriores. “Quando se organiza e reivindica uma conferência nacional, vocês sabem quantos benefícios isso trouxe para a população brasileira. Eu não sei por que alguém toma a atitude de acabar com o Ministério das Cidades e tirar do povo o direito de viver minimamente com decência”, afirmou.
O presidente declarou ainda que seu apoio político não veio do setor financeiro. “O fato de eu ter sido reeleito tantas vezes, eu não devo isso a nenhum banqueiro da Faria Lima nem a nenhum grande empresário brasileiro. Eu devo isso a vocês.”
Leia mais
Silenciar a voz
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou o intervalo sem a realização do Conselho das Cidades. “Há 13 anos ocorreu o último Conselho das Cidades neste país. De lá para cá, a única coisa que se tentou foi silenciar a voz das ruas e impedir que apontassem o que é melhor para as nossas cidades”, disse.
Ele defendeu a descentralização das decisões sobre políticas urbanas. “Como podemos, em um país como o nosso, continuar deixando que apenas Brasília aponte o que cada região precisa? É a partir de fóruns como este que conseguimos promover transformações. É ouvindo que fazemos aquilo de que o Brasil precisa. A partir daqui, seguramente teremos um país melhor”, afirmou.
Destruição de políticas públicas
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, também discursou no evento e falou sobre o período sem conferências. “Estou aqui no limiar da minha racionalidade. A racionalidade do presidente de um banco, que tem a responsabilidade de conduzir operações privadas e públicas e executar políticas do governo, é diferente da do cidadão brasileiro, que tende a querer que eu fale como cidadão e não como presidente da Caixa”, disse.
Ele afirmou que a última conferência de que participou foi em novembro de 2013. “De lá para cá, vimos uma narrativa que, durante um período, prevaleceu: a destruição das políticas públicas, o fechamento do Ministério das Cidades e das políticas estruturadas pelo Estatuto da Cidade, o que gerou um desnorteamento. Todos nós sentimos, mas tenho certeza de que os movimentos sociais foram os que mais sentiram”, concluiu.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp













