Brasília 'Mamíferos', diz Bolsonaro sobre empresários que assinaram carta pela democracia

'Mamíferos', diz Bolsonaro sobre empresários que assinaram carta pela democracia

Documento, feito pela USP, afirma que há riscos às instituições e insinuações de desacato ao resultado das eleições deste ano 

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PL)

O presidente Jair Bolsonaro (PL)

Alan Santos/PR - 20.6.2022

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar, nesta segunda-feira (1º), os signatários da carta em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro e chamou os empresários que assinaram o documento de "mamíferos"'.

"Esse manifesto aí foi assinado por banqueiros, artistas, tem mais uma classe e alguns empresários mamíferos", afirmou Bolsonaro em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

O documento foi feito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e em menos de 24 horas obteve a assinatura de mais de 100 mil pessoas. A carta não cita Bolsonaro e afirma que "estamos passando por momento de imenso perigo" para a normalidade democrática, com riscos às instituições e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Entre os signatários estão banqueiros, empresários, intelectuais e advogados. O documento contou também com a assinatura de ministros eméritos do Supremo Tribunal Federal e de docentes de diversas universidades do país, como USP, UFMG, UFRJ e UFPB.

A carta já tinha sido alvo de críticas por parte de Bolsonaro na última quarta-feira (27). Durante a convenção que oficializou a aliança do Partido Progressista com o Partido Liberal, o presidente desdenhou do documento.

"Defendemos a democracia. Não precisamos de nenhuma cartinha para falar que defendemos a democracia. Que queremos cada vez mais cumprir e respeitar a Constituição. Não precisamos, então, de apoio ou sinalização, de quem quer que seja, para mostrar que o nosso caminho é a democracia, a liberdade e o respeito à Constituição", afirmou Bolsonaro na ocasião.

O documento em defesa da democracia será lido em 11 de agosto, na capital paulista. A carta chega em meio às críticas feitas por Bolsonaro ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas. Recentemente, o presidente convocou embaixadores estrangeiros para levantar suspeitas contra o modelo adotado, o que provocou reações em diversos segmentos da sociedade.

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