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Mudança histórica na Síria não mobiliza Senado brasileiro

Grupo parlamentar criado para estreitar relações entre os dois países recebeu apenas uma adesão além da do autor da proposta

Brasília|Deborah Hana Cardoso, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Grupo Parlamentar Brasil-Síria, criado em 2024, não foi instalado devido à falta de adesão no Senado brasileiro.
  • O grupo, proposto por Esperidião Amin, visava fortalecer relações bilaterais entre Brasil e Síria, mas apenas Mara Gabrilli aderiu além do autor.
  • A iniciativa surgiu durante a transformação política na Síria, após a queda do ditador Bashar al-Assad, mas não mobilizou o Senado.
  • Apesar do desinteresse legislativo, Brasil e Síria mantêm relações diplomáticas regulares e há uma significativa presença de sírios e descendentes no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Grupo foi criado em 2024, mas nunca chegou a ser instalado por falta de quórum Waldemir Barreto/Agência Senado

Criado em 2024, mas nunca instalado, o Grupo Parlamentar Brasil-Síria expõe o desinteresse do Senado pela pauta. A iniciativa foi apresentada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), mas não encontrou apoio suficiente entre os colegas para sair do papel.

Dos 81 senadores da Casa, apenas Mara Gabrilli (PSD-SP) aderiu ao grupo além do próprio autor da proposta. O número ficou abaixo do mínimo necessário para a instalação: nove parlamentares, o equivalente a 10% da composição do Senado.

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O objetivo do colegiado era incentivar e fortalecer as relações bilaterais entre os Legislativos do Brasil e da Síria. A proposta previa o intercâmbio de experiências por meio de visitas oficiais, conferências, estudos e encontros voltados para temas políticos, jurídicos, sociais, científicos, culturais, educacionais e econômicos.

A falta de interesse chama atenção porque a iniciativa surgiu justamente em um momento de profunda transformação na Síria. O país vivia os desdobramentos da queda do ditador Bashar al-Assad, encerrando mais de duas décadas no poder e abrindo caminho para uma nova configuração política.

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O colapso do regime foi precedido por uma guerra civil que provocou uma enorme crise humanitária. Milhões de sírios foram obrigados a abandonar suas casas, a maioria buscou abrigo em países vizinhos, como Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito.

Uma eventual aproximação institucional também encontraria respaldo na significativa presença de sírios e descendentes no Brasil. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência, divulgada em 2019 pela CCAB (Câmara de Comércio Árabe-Brasileira), o país abriga mais de 11,6 milhões de pessoas de origem árabe. Desse total, cerca de 1,4 milhão de origem síria.

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Dados de 2024 da Acnur (Agência da ONU para Refugiados) mostram que mais de 4 mil sírios foram acolhidos pelo Brasil por meio de vistos humanitários especiais.

Ao site, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o Censo de 2022 identificou 3.645 residentes nascidos na Síria. O órgão ressaltou, porém, que os levantamentos não coletam informações sobre ascendência. “Por isso, não sabemos o número de descendentes de sírios que residem no Brasil”, informou o instituto em nota.

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O IBGE destacou ainda que a Síria ocupa a 24ª posição entre os países de nascimento da população estrangeira residente no Brasil.

Se o assunto não mobilizou o Senado, o mesmo não ocorre na esfera diplomática mais alta. O Ministério das Relações Exteriores informou que Brasil e Síria mantêm relações diplomáticas regulares e possuem representações diplomáticas em suas respectivas capitais.

Uma nova Síria

A Síria vive atualmente um período de reconstrução sob a liderança do presidente Ahmed al-Shar’a, também conhecido anteriormente como Abu Mohammad al-Julani. Ele assumiu o poder em janeiro de 2025 após liderar as forças que derrubaram o regime de Bashar al-Assad.

Em um dos gestos mais simbólicos da nova fase do país, Al-Shar’a discursou na Assembleia-Geral das Nações Unidas e apresentou à comunidade internacional sua visão para a reconstrução e superação dos efeitos deixados pelo antigo regime.

“Nossa história é uma das lições da história e constitui a incorporação de nobres significados e valores humanos”, afirmou.

Em outro momento, atribuiu ao governo anterior a responsabilidade pela devastação vivida pelo país.

“O regime anterior usou a pior espécie de tortura contra o nosso povo: armas químicas, bombardeios, tortura em prisões, deslocamentos, conflitos sectários e o uso de drogas contra o nosso povo e o mundo”, declarou.

Ao defender a nova administração, afirmou que o governo passou a atuar com base em três pilares: “Diplomacia equilibrada, segurança e estabilidade e desenvolvimento econômico”.

Bashar Al-Assad está refugiado na Rússia desde 2024.

A reportagem procurou a Embaixada da Síria no Brasil, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

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