Nelsinho Trad critica ‘tarifaço’ dos EUA e defende estratégia diplomática
Senador vê interesse dos EUA em terras raras por trás de tarifas e defende abertura de novos mercados
Brasília|Do R7, em Brasília
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O senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou que a recente proposta de nova tarifa adicional sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos gera uma “grave instabilidade jurídica” e destrói a confiança necessária para o comércio exterior.
Ao JR Entrevista desta quarta-feira (17), o parlamentar destacou que a mudança repentina nas regras, que pode elevar a tributação total para 37,5%, cria um cenário de incerteza para o empreendedor nacional, comparando a situação a quem tenta construir uma casa em um “terreno cheio de lama que não tem base”.
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“Imagine você se organizar, se planejar na sua empresa para poder exportar [...] e, a partir daí, do nada, você recebe um tarifaço em cima daquilo que você, com tanto esforço, conseguiu organizar para poder ter um retorno”, criticou.
Para Trad, o Brasil está inserido em uma verdadeira “guerra de geopolítica econômica mundial” e deve responder com um diálogo diplomático de alto nível. O senador defende que o governo brasileiro busque um entendimento bilateral direto com Washington, em vez de recorrer apenas a organismos como a OMC, que ele considera pouco efetivos na resolução prática de conflitos.
“Quem tá criando problema com a gente, vamos sentar com ele, vamos tentar resolver”, declarou o parlamentar, sugerindo que o prazo de 60 dias estabelecido pelos americanos antes da aplicação definitiva das taxas abre uma janela de oportunidade para uma reunião de cúpula.
O senador apontou ainda que o real interesse estratégico por trás dessa pressão comercial é o acesso dos Estados Unidos às terras raras do solo brasileiro, das quais o Brasil possui a segunda maior reserva mundial.
“Atrás de toda essa confusão tem o interesse dos Estados Unidos nas nossas terras raras. Nada me tira isso da cabeça”, disparou Trad. Ele enfatizou que a soberania nacional deve ser o limite de qualquer cooperação tecnológica, garantindo que a riqueza gerada pela exploração permaneça no território brasileiro, uma vez que se trata da “riqueza brasileira do solo brasileiro”.
Como alternativa ao protecionismo norte-americano, Trad defendeu que o Brasil “abra janelas” para novos mercados e acelere a consolidação de acordos estratégicos. Ele destacou a relevância do tratado entre Mercosul e União Europeia, que abrange mais de 5.000 itens, além de parcerias com o bloco EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), Singapura e Canadá.
De acordo com o senador, o país não pode ficar refém de entraves comerciais e deve buscar parcerias de “ganha-ganha” que garantam a competitividade dos produtos nacionais no mercado estrangeiro.
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