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PF e PGR negam depoimento de Vorcaro sobre supostos repasses para filme de Lula

Instituições afirmam que propostas de delação do ex-banqueiro foram rejeitadas; PF apura notícia-crime sobre vazamentos

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal e a PGR negaram que Daniel Vorcaro tenha prestado depoimento sobre supostos repasses para um documentário sobre Lula.
  • A revista Veja publicou reportagens alegando que Vorcaro relatou pagamentos a pessoas ligadas ao governo Lula e ao Instituto Lula.
  • A defesa de Vorcaro repudiou a divulgação de anexos relacionados a colaborações premiadas não celebradas, questionando a autenticidade do material.
  • Não houve depoimento direto de Vorcaro à PF ou à PGR, e as propostas de colaboração premiada foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Defesa de Vorcaro diz não reconhecer a origem nem a autenticidade de material publicado pela imprensa Divulgação/Banco Master - Arquivo

A Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) negaram, nesta sexta-feira (9), que Daniel Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo divulgado pela imprensa sobre supostos pagamentos relacionados a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os comunicados vêm após uma sequência de reportagens publicadas pela revista Veja, que atribuem a Vorcaro relatos sobre supostos pagamentos a pessoas ligadas ao governo Lula e ao Instituto Lula, além de articulações para ampliar os negócios do Banco Master com fundos de pensão.

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Em nota, a PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito na reportagem — intitulada Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo — nem entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo divulgado.

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Apuração da PF

A corporação informou ainda que recebeu uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das medidas de polícia judiciária.

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“As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”, diz o comunicado.

Manifestação da PGR

A PGR, por sua vez, declarou que as tratativas de colaboração premiada foram conduzidas por advogados contratados pelo investigado e que não houve interlocução direta entre Vorcaro e representantes do órgão.

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“Todas as propostas formalizadas pela Defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.”

Publicações

A revista afirma ter obtido áudios e documentos nos quais o banqueiro relata um suposto pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar o documentário Lula, do cineasta Oliver Stone, além de outros repasses ao Instituto Lula.

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Segundo a publicação, os valores teriam sido negociados com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto como parte de um esquema para facilitar o acesso do Banco Master a recursos de fundos de pensão de estatais.

Em outra reportagem, o veículo sustenta que mensagens mostram a atuação do advogado Walfrido Warde junto a integrantes do governo Lula para tentar encontrar uma solução para a situação do Banco Master. A publicação relata contatos com integrantes do Palácio do Planalto em meio às dificuldades enfrentadas pela instituição financeira.

A revista também divulgou um áudio atribuído a Vorcaro, no qual ele fala sobre os supostos R$ 30 milhões destinados ao documentário sobre o petista. Na gravação, veiculada no site da Veja, o banqueiro diferencia o alegado pagamento relacionado ao filme sobre Lula do patrocínio ao longa-metragem Dark Horse, referente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Reação de Lula

Em nota, a equipe da campanha do presidente Lula negou as acusações da revista e afirmou que não aceitará que vazamentos seletivos sejam usados como “arma eleitoral”. O comunicado informou ainda que as medidas judiciais cabíveis serão tomadas.

Leia o comunicado divulgado pela campanha de Lula:

É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova. A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável, baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário. Esse depoimento não existe; não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa.

(Coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais)

Foi durante o atual governo que as instituições de controle atuaram para investigar as irregularidades, liquidar o Banco Master e levar seu controlador à prisão. Agora, surgem acusações contra as autoridades que enfrentaram suas irregularidades. Trata-se de uma tentativa de vingança que levanta uma pergunta inevitável: que benefícios Vorcaro espera obter de uma eventual mudança de governo? Vários fatos comprovam que há uma grande armação em andamento contra os interesses do povo brasileiro.

(Coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais)

A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como “patrocínio normal”, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações. A narrativa tenta proteger Flávio Bolsonaro, citado em investigações sobre ligações e pedidos milionários ao banqueiro. Uma farsa com objetivos eleitorais.

(Coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais)

A própria Veja reconhece que a Procuradoria-Geral da República não deu prosseguimento às acusações por falta de provas. Mesmo assim, transforma uma mentira em capa da revista.

(Coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais)

Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações.

(Coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais)

Posição de Vorcaro

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por sua vez, repudiou a divulgação de supostos anexos relacionados às tratativas de colaboração premiada.

Os advogados declararam ainda não reconhecer a origem, a autenticidade ou a integridade do material publicado.

Leia a nota dos advogados de Daniel Vorcaro:

A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas. O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades.

(Nota completa da defesa de Daniel Vorcaro, assinada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz )

*Estagiária do R7, sob supervisão de Letícia de Souza, editora de texto.

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