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Dark Horse: anotações em casa de empresária indicam ‘Mario’ como sócio de produtora do filme

Segundo a Polícia Civil de SP, a obra teria recebido recursos de uma emenda de R$ 2 milhões do então deputado federal Mario Frias

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Anotações apreendidas indicam "Mario" como sócio da produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse".
  • O filme teria recebido R$ 2 milhões de uma emenda do ex-deputado federal Mario Frias, que nega envolvimento com o uso dos recursos.
  • Investigação apura se contratos do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo financiaram a produção do filme.
  • Dark Horse também recebeu investimento de R$ 64 milhões de Daniel Vorcaro, por meio do fundo Havengate nos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Karina Ferreira da Gama e Mario Frias são investigados por suposto desvio de recursos públicos Reprodução/instagram @mariofriasoficial – Arquivo

Anotações em papel apreendidas em junho pela Polícia Civil de São Paulo em endereço identificado como a residência da empresária Karina Gama apontam para “Mario” como sócio da sua produtora, a Go UP Entertainment, responsável por Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com investigadores, a obra recebeu recursos de uma emenda de R$ 2 milhões do então deputado federal Mario Frias (PL-RJ), alvo de busca e apreensão na última sexta-feira (11). Ele afirma não ter relação com a execução dos valores.


Procurada no domingo (13), mesmo dia em que os autos da investigação foram divulgados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, a assessoria de Frias não quis se manifestar. Seu assessor, identificado como Diego, afirmou que o gabinete só funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira.

Ele criticou o que considerou “importunação da reportagem” e afirmou que foi desrespeitado por ter recebido mensagens e uma ligação telefônica no fim de semana.


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O advogado de Karina, Ricardo Sayeg, disse não saber da participação do parlamentar nos negócios de sua cliente, mas afirmou que a prática, se confirmada, não configuraria ilícito.

“A Go Up é uma empresa privada que tem todo o direito de captar sócios. Não estou confirmando a informação, mas, ainda que fosse (verdadeira), não teria a menor irregularidade. Parece haver uma demonização, mas a defesa não vai aceitar essa demonização. O parlamentar não tem qualquer impedimento de fazer parte de uma sociedade.”


Emendas parlamentares

Conforme revelou a reportagem, a Polícia Federal estima que ao menos R$ 750 mil de recursos indicados pelo parlamentar foram parar na produção do filme.

Os manuscritos também associam o financiamento do longa-metragem ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), do qual Karina era representante. A entidade firmou contratos no valor de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para o fornecimento de sinal Wi-Fi em áreas públicas da cidade.


Inquérito sob relatoria do ministro Flavio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), apura se esses acordos tinham como finalidade abastecer a produção do filme.

As anotações encontradas em posse de Karina são um esboço de uma espécie de organograma com detalhes sobre o caminho do dinheiro do ICB até a produtora. O esquema contém uma caixa em que está escrito “Go Up BR”. Uma linha a conecta à outra, na qual se lê “Go Up USA”.

É nesta segunda caixa da qual sai uma seta que aponta para a anotação “sócio Mario”.

Uma linha entre as duas caixas apresenta um círculo dentro do qual está anotado “IOF”, em alusão ao Imposto sobre Operações Financeiras. O tributo é pago em transações para o exterior e indica que valores foram remetidos aos Estados Unidos.

Dino autorizou, neste domingo (13), a produção de relatórios de inteligência financeira. Esses materiais, elaborados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), permitem detalhar movimentações entre contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo já haviam requisitado o procedimento, que ainda não havia sido autorizado pela Justiça.

Recursos de Vorcaro

Dark Horse também recebeu investimento de aproximadamente R$ 64 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Uma de suas empresas, a Entre Investimentos, aportou os valores por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro.

O ex-deputado brasileiro vive, desde fevereiro do ano passado, na Flórida, onde trabalha para aproximar sua família do presidente norte-americano, Donald Trump. Um inquérito sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes apura se ele atuou para estabelecer sanções contra o Brasil.

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