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Veja mapa de concentração de eleitores de Lula que teria sido usado para blitze da PRF na eleição

Segundo a Polícia Federal, as informações foram usadas para dificultar o deslocamento de eleitores nordestinos no segundo turno das eleições

Brasília|Plínio Aguiar e Gabriela Coelho, do R7 em Brasília

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Mapa mostra locais onde Lula teve mais votos no primeiro turno
Mapa mostra locais onde Lula teve mais votos no primeiro turno

A Polícia Federal (PF) obteve acesso ao mapa que mostra as regiões onde havia a concentração de votos no primeiro turno da eleição de 2022 para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a corporação, o mapa foi usado pela gestão de Silvinei Vasques, na época à frente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), para dificultar o deslocamento de eleitores de Lula no segundo turno. A informação consta em documento que fundamentou a prisão do ex-diretor-geral da corporação, nesta quarta-feira (9).

O mapa foi encontrado no celular de Marília Alencar, então diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública. “Havia uma reunião agendada com o [então] ministro [Anderson Torres] para as 11h. Sendo assim, como esta imagem foi capturada às 11h23, há fortes indícios de que esta fotografia tenha sido realizada para esta reunião”, diz a PF.


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Torres pediu a membros da PF e da PRF que se ajudassem em uma atuação conjunta e alegassem que o motivo seria o combate a fraudes eleitorais. O objetivo, contudo, seria interromper o fluxo de eleitores e, assim, tentar diminuir a vantagem de Lula na região para favorecer o ex-presidente e então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

Colunas mostram desempenho eleitoral dos candidatos no primeiro turno da eleição
Colunas mostram desempenho eleitoral dos candidatos no primeiro turno da eleição

Intitulado "Concentração maior ou igual a 75% — Lula", o mapa mostra uma lista de municípios, como Crato (CE), Paulo Afonso (BA), Iguatu (CE), Parintins (AM), Candeias (BA), Serra Talhada (PE), Canindé (CE), Barreirinhas (MA) e Icó (CE), entre outras. Há uma coluna de votos cujo número total é 10.073.642, além de outras duas com o nome de Bolsonaro (1.485.294 votos) e de Lula (7.743.713). O mapa mostra ainda uma coluna com nomes de partidos. Sob a gestão de Vasques, no segundo turno da eleição a PRF concentrou a abordagem de veículos em locais em que o petista construía sua maior vantagem.


Em uma representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF revelou que os pontos fixos de fiscalização foram muito maiores na região Nordeste, sendo que, entre 28 e 30 de outubro de 2022, “a quantidade de ônibus fiscalizados foi apenas de 221 a menos que a soma das demais regiões do Brasil, e a retenção de ônibus na referida região foi quase o dobro da soma dos retidos nas demais regiões”.

Bloqueio nas estradas e prisão

Em 30 de outubro de 2022, policiais rodoviários federais realizaram bloqueios em diversas rodovias do Nordeste, o que impactou a movimentação de eleitores para os locais de votação e causou atrasos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a ampliar o horário para que as pessoas votassem, além de pedir explicações à PRF. Naquele dia, a corporação alegou que tentava evitar possíveis crimes eleitorais.


Os bloqueios foram feitos mesmo depois de o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, ter decidido, na véspera do segundo turno, a proibição das blitze até o fim das eleições — qualquer tipo de operação relacionada ao transporte público, gratuito ou não, de eleitores. O então diretor-geral da PRF foi demitido em dezembro e, atualmente, é réu por improbidade administrativa devido à operação.

Vaques foi preso nesta quarta-feira (9), em Florianópolis (SC), por suspeita de uso da máquina pública para interferir nas eleições de 2022, e está sendo encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele será ouvido na manhã de quinta-feira (10) e, em seguida, transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal.

À Record TV, a defesa de Vasques declarou, em referência ao mapeamento dos eleitores de Lula, que ele não pode ser responsabilizado por atos que tenham sido cometidos por outros. A defesa do ex-diretor da PRF disse ainda que "as operações no segundo turno foram coordenadas pelo Ministério da Justiça".

Silvinei Vasques tem 48 anos, nasceu em Ivaiporã, no Paraná, e faz parte dos quadros da corporação desde 1995. Exerceu diversos cargos de chefia, como o de superintendente em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Também foi secretário municipal de Segurança Pública e de Transportes de São José (SC), entre 2007 e 2008.

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