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PGR defende no STF prisão domiciliar para Roberto Jefferson

Procuradoria se manifestou, ainda, pela distribuição aleatória do habeas corpus no Supremo

Brasília|Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta sexta-feira (27/8) que o ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, seja colocado em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira para monitoramento eletrônico. Na manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria pediu, ainda, que o habeas corpus, relatado pelo ministro Edson Fachin, seja distribuído de forma aleatória, excluindo-se o relator da petição inicial, que é o ministro Alexandre de Moraes. 

Jefferson teve prisão preventiva decretada no último dia 13 a pedido da Polícia Federal, acatado em decisão do ministro, no âmbito do inquérito que investiga milícias digitais, um desdobramento do inquérito que apura organização e financiamento de atos antidemocráticos, aberto no ano passado a partir de um pedido da PGR, mas que já foi arquivado. A PF apontou ter identificado sérias ameaças em publicações do parlamentar nas redes sociais.

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Na decisão, Moraes pontuou que o inquérito foi instaurado "em virtude da presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político" e "com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito".

Jefferson está preso no Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro. Ao se manifestar pela prisão domiciliar, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araujo, afirmou que a manutenção da prisão não se justifica. "A prisão preventiva deve observar critérios de proporcionalidade e adequação (...). No caso dos autos, verifica-se que os supostos delitos praticados pelo requerente consistiriam em manifestações de opinião, essencialmente por meio de redes sociais", escreveu.

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Segundo Lindôra, "as declarações destacadas como ilícitos não demonstram qualquer indício concreto de que a liberdade do investigado represente risco à sociedade ou à instrução processual". A subprocuradora, figura próxima do procurador-geral, Augusto Aras, pontuou também na decisão que ficou demonstrado no processo a fragilidade do estado de saúde do ex-deputado. Ela citou que no dia 18, a Secretaria de Administração Penitenciária do RJ emitiu um relatório médico no qual declarou que Jefferson "não apresenta condições de saúde a ser acompanhado ou tratado pelo sistema de saúde" dos presídios.

Crise

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A decisão de Moraes gerou mais um mal-estar na PGR. Aras foi muito criticado internamente pelos colegas por ter deixado passar o prazo para manifestação no pedido de prisão do ministro. Moraes pediu um parecer da Procuradoria no dia 5 de agosto, dando um prazo de 24 horas para a resposta. A manifestação foi feita no dia 12, mas só entrou no sistema do Supremo no dia 13, às 13h08, depois que Jefferson já havia sido preso.

Na data, o ministro informou que o órgão não havia se manifestado em tempo hábil. A Procuradoria, por sua vez, rebateu dizendo, em nota, que houve manifestação da PGR "no tempo oportuno, como ocorre em todos os procedimentos submetidos à unidade". O órgão ainda disse que foi contrário à prisão por entender que ela "representaria uma censura prévia à liberdade de expressão, o que é vedado pela Constituição Federal".

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