Preço da gasolina chega a R$ 5,27 no Distrito Federal, diz ANP
Especialistas apontam que bloqueios nas rodovias, alta do barril de petróleo, câmbio e demanda puxaram elevação
Brasília|Jéssica Moura, do R7, em Brasília

O custo médio da gasolina nos postos de combustíveis do Distrito Federal subiu pela segunda semana consecutiva e chegou a R$ 5,27 entre 30 de outubro e 5 de novembro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgado nessa segunda-feira (7).
A alta foi de R$ 0,22 em relação ao período anterior e corresponde a uma elevação de 4,35%. O salto no preço do etanol foi ainda mais acentuado: 6,1% em 7 dias. O produto é vendido, em média, a R$ 4. Já o diesel registrou a 3ª elevação semanal seguida e passou de R$ 6,60 para R$ 6,70: uma variação de 1,51%.
Protestos
O reajuste veio logo após os protestos de caminhoneiros insatisfeitos com o resultado das eleições que acabaram com o fechamento de diversas rodovias em 24 estados.
O professor de Administração e Ciências Econômicas do IESB, Renan Sujii, afirma que os proprietários temiam o risco de pressão sobre a demanda, diante da possível baixa na oferta do produto. "Isso gerou uma preocupação em relação à distribuição dos combustíveis, e houve uma volatilidade dos preços nas bombas. Em intervalo de três dias, [o preço] alterou três vezes, parecia bolsa de valores".
Os estabelecimentos aumentaram os preços, apesar de o último reajuste da Petrobras para as distribuidoras ter sido aplicado em setembro. Naquele mês, houve redução no custo. O aumento mais recente foi em junho. "No segundo semestre, a Petrobras demorou para reajustar (os preços)", ponderou Sujii.
Os preços estavam em queda desde julho, depois que a lei que limitou a alíquota do ICMS sobre combustíveis a 17% e 18%, dependendo do estado, entrou em vigor.
"A redução dos impostos provocou um aumento do consumo desse produto, o que está acontecendo é demanda e oferta. Há uma exagerada demanda por etanol e gasolina e a oferta desses produtos está baixa, isso está fazendo com que ocorra elevação do preço", avalia o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindcombustíveis), Paulo Tavares.
Importação
A Petrobras adota a política de Paridade de Preço Internacional (PPI). Com isso, o valor de venda dos combustíveis no país acompanha a flutuação do preço do barril do petróleo no exterior e do câmbio. O relatório publicado pela Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) na semana passada aponta que a defasagem entre e o preço da gasolina no país e o registrado no mercado internacional é de 10%. No caso do diesel, a diferença é de 3%.
Tavares argumenta que as distribuidoras repassaram aos revendores esse aumento no custo da importação.
"O Brasil não tem autossuficiência do produto refinado, somente do petróleo cru. Gasolina e diesel refinados precisam ser importados entre 20% e 25% do mercado externo. Como o produto está mais caro, quando as distribuidoras importam para compensar o seu mix para vender no mercado interno, acaba influenciando no preço", argumenta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindcombustíveis), Paulo Tavares.
Etanol
Ele acrescenta que a guinada nos preços da gasolina também se deve à subida do custo do etanol anidro, que compõe um terço do valor do combustível. "Como a safra deste ano sofreu consequências da seca do ano passado, teve uma redução de aproximadamente 20% na sua produção".













