Processos contra organizações criminosas mais que dobram em cinco anos, aponta CNJ
Painel permite verificar processos envolvendo facções e milícias e identificar em quais etapas da Justiça estão as principais dificuldades
Brasília|Larissa Lopes e Alinne Castelo Branco, da RECORD
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O avanço das organizações criminosas no Brasil também se reflete no sistema de Justiça. Em cinco anos, o número de novos processos relacionados a facções, milícias e outros grupos criminosos mais que dobrou no país, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Para acompanhar a evolução desses casos, o CNJ criou o Painel Nacional do Crime Organizado, desenvolvido em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A ferramenta reúne informações atualizadas automaticamente pelos tribunais e permite identificar a quantidade, o tipo e a situação dos processos relacionados ao crime organizado em diferentes regiões do país.
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Mais de 16 mil casos novos no primeiro semestre
Somente nos primeiros seis meses de 2026, a Justiça brasileira recebeu 16.198 novos casos relacionados a organizações criminosas. Desse total, foram 1.533 ações penais, 10.433 recursos e 4.232 outras ações. No mesmo período, o Judiciário julgou 1.743 ações penais, 11.536 recursos e 507 processos classificados em outras categorias.
Os dados permitem acompanhar não apenas o volume de processos, mas também em que etapa eles estão e onde estão concentrados os principais entraves.
Estratégias contra o crime organizado
O levantamento também serve para orientar decisões dentro do próprio sistema de Justiça. A partir das informações reunidas pelo painel, é possível verificar se os problemas estão concentrados na fase de investigação, na abertura da ação penal ou na etapa de recursos.
Para o juiz auxiliar do CNJ Gláucio Roberto Brittes de Araújo, o uso de informações concretas é fundamental para definir medidas mais eficientes. Segundo ele, o diagnóstico também pode contribuir para que outros setores do poder público, como o Executivo e o Legislativo, desenvolvam políticas específicas de acordo com as necessidades de cada região.
O magistrado explica que o acompanhamento das diferentes fases dos processos permite identificar com maior precisão onde estão os problemas e direcionar as ações para os pontos que mais precisam de intervenção.
“Somente com evidências, com dados empíricos, é que a gente pode traçar políticas públicas eficientes. A gente tem como saber se o problema está na investigação, se o problema está na ação penal, se o problema está na fase recursal, e aí a gente pode agir de forma mais eficaz”, diz Araújo.
A ferramenta do CNJ transforma os processos judiciais em uma espécie de mapa da atuação do crime organizado no país. Além de mostrar a dimensão do problema, os dados podem ajudar o Judiciário a definir estratégias para tornar mais efetivo o enfrentamento de facções e milícias.
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