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Processos contra organizações criminosas mais que dobram em cinco anos, aponta CNJ

Painel permite verificar processos envolvendo facções e milícias e identificar em quais etapas da Justiça estão as principais dificuldades

Brasília|Larissa Lopes e Alinne Castelo Branco, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O número de processos contra organizações criminosas no Brasil mais que dobrou em cinco anos, conforme dados do CNJ.
  • O CNJ criou o Painel Nacional do Crime Organizado para monitorar e entender melhor a situação dos processos judiciais.
  • Nos primeiros seis meses de 2026, a Justiça recebeu 16.198 novos casos, destacando o aumento significativo de ações penais e recursos.
  • A ferramenta ajuda a identificar entraves no sistema judicial e orienta políticas públicas eficientes para enfrentar o crime organizado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

CNJ criou o Painel Nacional do Crime Organizado, desenvolvido em parceria com o PNUD Rômulo Serpa/Agência CNJ - Arquivo

O avanço das organizações criminosas no Brasil também se reflete no sistema de Justiça. Em cinco anos, o número de novos processos relacionados a facções, milícias e outros grupos criminosos mais que dobrou no país, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Para acompanhar a evolução desses casos, o CNJ criou o Painel Nacional do Crime Organizado, desenvolvido em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A ferramenta reúne informações atualizadas automaticamente pelos tribunais e permite identificar a quantidade, o tipo e a situação dos processos relacionados ao crime organizado em diferentes regiões do país.


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Mais de 16 mil casos novos no primeiro semestre

Somente nos primeiros seis meses de 2026, a Justiça brasileira recebeu 16.198 novos casos relacionados a organizações criminosas. Desse total, foram 1.533 ações penais, 10.433 recursos e 4.232 outras ações. No mesmo período, o Judiciário julgou 1.743 ações penais, 11.536 recursos e 507 processos classificados em outras categorias.

Os dados permitem acompanhar não apenas o volume de processos, mas também em que etapa eles estão e onde estão concentrados os principais entraves.


Estratégias contra o crime organizado

O levantamento também serve para orientar decisões dentro do próprio sistema de Justiça. A partir das informações reunidas pelo painel, é possível verificar se os problemas estão concentrados na fase de investigação, na abertura da ação penal ou na etapa de recursos.

Para o juiz auxiliar do CNJ Gláucio Roberto Brittes de Araújo, o uso de informações concretas é fundamental para definir medidas mais eficientes. Segundo ele, o diagnóstico também pode contribuir para que outros setores do poder público, como o Executivo e o Legislativo, desenvolvam políticas específicas de acordo com as necessidades de cada região.


O magistrado explica que o acompanhamento das diferentes fases dos processos permite identificar com maior precisão onde estão os problemas e direcionar as ações para os pontos que mais precisam de intervenção.

“Somente com evidências, com dados empíricos, é que a gente pode traçar políticas públicas eficientes. A gente tem como saber se o problema está na investigação, se o problema está na ação penal, se o problema está na fase recursal, e aí a gente pode agir de forma mais eficaz”, diz Araújo.


A ferramenta do CNJ transforma os processos judiciais em uma espécie de mapa da atuação do crime organizado no país. Além de mostrar a dimensão do problema, os dados podem ajudar o Judiciário a definir estratégias para tornar mais efetivo o enfrentamento de facções e milícias.

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