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Projeto de lei do DF permite que mulheres consultem registros criminais de parceiros

Medida pretende alertar e incentivar a busca de 'informações sobre o histórico de eventuais agressões' dos companheiros

Brasília|Giovanna Inoue, do R7, em Brasília

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Projeto de lei é chamado de 'Conheça seu par'
Projeto de lei é chamado de 'Conheça seu par' Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um projeto de lei que tramita na Câmara Legislativa do Distrito Federal propõe que mulheres consigam consultar antecedentes e apontamentos criminais de terceiros exclusivamente para crimes tipificados na Lei Maria da Penha, de violência e ameaça contra a pessoa em uma única plataforma. A proposta, de autoria da deputada distrital Doutora Jane (MDB), é chamada de "Conheça seu par".

Segundo a justificativa do texto, a medida pretende alertar e estimular condutas de segurança entre as mulheres, além de "incentivá-las a buscar informações sobre o histórico de eventuais agressões ou condutas agressivas de seus companheiros, namorados e demais relacionamentos, ainda que transitórios, para que se protejam de qualquer tipo de violência".

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O advogado Bruno Vale explica que a consulta de antecedentes criminais já é possível, mas que os resultados só aparecem quando o caso está tramitando na Justiça. Ou seja, boletins de ocorrências policiais não são pesquisáveis. "O PL [projeto de lei] caminha na perspectiva de consolidação de todas estas informações em uma única ferramenta", completa.

A deputada Jane afirma que o feminicídio ocorre, em muitos casos, dentro da própria casa e que a possiblidade de consulta de antecedentes é "mais um caminho de segurança".

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No caso do início de um relacionamento, por exemplo, a transparência é crucial para promover ambientes saudáveis e relações baseadas na confiança. A proposta busca oferecer às mulheres uma ferramenta para tomada de decisões.

(Doutora Jane (MDB), deputada distrital e autora do projeto de lei)

Feminicídios

No ano passado, o Distrito Federal teve um número recorde de feminicídios, sendo 34 ao longo do ano. Em janeiro de 2024, até então, três crimes foram registrados.

O primeiro crime aconteceu no dia 10 de janeiro. Tainara Kellen Mesquita da Silva, de 26 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em frente ao salão de beleza em que ela trabalhava, no Gama.

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Menos de uma semana depois, uma mulher de 37 aos foi encontrada morta com sinais de estrangulamento na própria casa, em Ceilândia. O companheiro dela ligou para os bombeiros pedindo socorro para um possível caso de queda depois de cometer o crime.

A delegada do caso afirmou que vizinhos escutaram gritos de socorro da vítima durante a madrugada, mas ninguém acionou a polícia. Pelo menos dez registros de violência doméstica relacionados ao suspeito foram registrados pela vítima.

O terceiro ferminicídio aconteceu no Recanto das Emas. Antônia Maria Carvalho dos Santos, de 39 anos, foi esfaqueada pelo companheiro em frente ao filho de 3 anos.

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