Quase metade dos trabalhadores de app entra no setor por falta de opção ou busca por renda maior
IBGE aponta que 24,6% não encontraram outro trabalho e 20,8% esperavam ganhar mais com os aplicativos
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quase metade dos trabalhadores que utilizam aplicativos para exercer a atividade principal no Brasil decidiu aderir a esse tipo de trabalho por falta de alternativa ou pela expectativa de obter um retorno financeiro maior.
Segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2025, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (4), 24,6% afirmaram que não conseguiram encontrar outro trabalho, enquanto 20,8% disseram considerar o rendimento dos aplicativos maior do que o oferecido em outras ocupações disponíveis. Somados, os dois motivos correspondem a 45,4% dos trabalhadores plataformizados.
Os dados foram coletados no terceiro trimestre de 2025 e fazem parte do módulo da PNAD Contínua dedicado ao trabalho por meio de plataformas digitais. É a primeira vez que a pesquisa investiga o principal motivo que levou os trabalhadores a exercer esse tipo de atividade.
A flexibilidade na jornada, porém, foi o motivo individual mais citado. Ao todo, 26,8% dos trabalhadores disseram ter escolhido os aplicativos por causa da possibilidade de organizar os próprios horários.
Outros 16,6% afirmaram utilizar as plataformas para complementar a renda. Já 4% disseram ter escolhido esse tipo de trabalho para melhorar habilidades, ganhar experiência ou ampliar a rede de contatos profissionais. Outros motivos foram citados por 7,3% dos entrevistados.
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Diferenças entre os tipos de serviço
O motivo para trabalhar por aplicativo também muda de acordo com o serviço utilizado.
Entre os motoristas de táxi, complementar a renda foi a principal justificativa, citada por 26,7%, seguida pela dificuldade de encontrar outro trabalho (23,8%) e pela flexibilidade (23,5%).
Entre os trabalhadores que utilizavam aplicativos de transporte particular de passageiros, excluindo os de táxi, a falta de outro trabalho foi o motivo mais frequente, com 33,4%. A flexibilidade apareceu em segundo lugar, com 27,2%, seguida pela expectativa de rendimento maior, com 24,4%.
No caso dos entregadores, os três principais motivos ficaram próximos: 26,9% disseram não ter conseguido encontrar outro trabalho, enquanto 26,6% citaram tanto a flexibilidade quanto a expectativa de rendimento maior.
Já entre os trabalhadores de aplicativos de serviços gerais ou profissionais, complementar a renda foi a principal razão, mencionada por 29,4%. A flexibilidade apareceu em seguida, com 22,4%, e melhorar habilidades, ganhar experiência ou ampliar a rede de contatos foi citado por 14,1%.
Plataformas
A pesquisa estima que 1,959 milhão de pessoas de 14 anos ou mais trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços no Brasil no terceiro trimestre de 2025, seja na atividade principal ou em uma ocupação secundária. O número representa 1,9% da população ocupada.
Considerando apenas o trabalho principal, eram 1,805 milhão de trabalhadores plataformizados. O contingente cresceu 9,1% em relação a 2024 e 36,8% na comparação com 2022.
Os aplicativos de transporte particular de passageiros concentravam a maior parcela desses trabalhadores, com 58,9% do total. Em seguida apareciam os aplicativos de entrega de comida e produtos, utilizados por 29,9%, e as plataformas de serviços gerais ou profissionais, com 16%.
Apesar da possibilidade de flexibilidade apontada pelos trabalhadores, a pesquisa mostra que a atividade também está associada a jornadas mais extensas e menor proteção previdenciária.
No trabalho principal, os plataformizados trabalhavam, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas entre os demais ocupados do setor privado. Além disso, 72,1% estavam em situação de informalidade, ante 42,7% dos não plataformizados.
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