Em reunião secreta, senadores interrogam secretário de Políticas Penais sobre fuga em Mossoró
Na reunião, governo assumiu o compromisso de enviar uma proposta de reestruturação da carreira dos policiais penitenciários
Brasília|Hellen Leite e Bruna Lima, do R7, em Brasília

Membros da Comissão de Segurança Pública do Senado ouviram nesta terça-feira (27) o secretário André Garcia, da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), em uma reunião secreta para debater a fuga dos dois detentos da Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Ao fim da reunião, o senador Sérgio Moro (União-PR) disse que o governo assumiu o compromisso de enviar uma proposta de reestruturação da carreira dos policiais penitenciários federais para análise do Congresso Nacional.
A reunião foi secreta devido às informações sensíveis sobre a gestão de presídios federais. Moro afirmou que o objetivo é aprimorar as condições da carreira para evitar qualquer influência do crime organizado nos presídios. "Vamos blindar essa carreira e uma das maneiras de fazer isso é dar a esses servidores a valorização necessária."
Na reunião, a bancada governista reconheceu a preocupação do governo com a demora na recaptura dos presos, assegurando que estão mobilizando todos os recursos disponíveis. Desde o dia 14 de fevereiro, os agentes estão em busca dos fugitivos. Este é o primeiro caso de fuga registrado em um presídio federal na história do país.
A questão orçamentária dos presídios federais também foi discutida, com sugestões para reforçar as medidas de segurança. Um dia após a fuga no presídio de Mossoró, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou medidas adicionais de segurança nos cinco presídios federais.
Ele informou que o governo deve investir na modernização do sistema de videomonitoramento das unidades; aperfeiçoar o controle de acesso aos presídios federais, com um sistema de reconhecimento facial para todos que entrarem nas dependências, inclusive funcionários e autoridades; ampliar o sistema de alarmes e sensores de todas as cinco unidades federais; e construir muralhas em todos os presídios com recursos do Fundo Penitenciário Nacional.
Quando questionado se haveria mais vozes a serem consideradas, Moro afirmou que a comissão vai "avaliar a necessidade de novas abordagens" e sobre como o Senado pode contribuir para tomar medidas preventivas e evitar futuras fugas.
Entenda
Os fugitivos identificados como Deibson Cabral Nascimento e Rogerio da Silva Mendonça são suspeitos de terem ligações com a facção criminosa Comando Vermelho, no Acre. O grupo domina as operações criminosas no Acre, onde a dupla estava presa até setembro do ano passado.
Os detentos conseguiram ter acesso a ferramentas utilizadas na reforma em andamento na unidade e escaparam através da luminária localizada em uma das paredes laterais da cela.
Após atravessar a abertura, os fugitivos escalaram o shaft — vão interno para passagem de tubulações e instalações elétricas — até o teto, onde quebraram uma grade metálica e chegaram ao telhado da prisão.
Em seguida, Deibson e Rogério se depararam com um tapume de metal que protegia o local reformado e fizeram uma brecha na estrutura. Depois, com alicates usados na obra, cortaram as grades que os separavam do mundo exterior.
Quatro pessoas já foram presas suspeitas de ajudarem os presos na fuga. Na segunda (26), o mecânico Ronaildo da Silva Fernandes, dono de um sítio em Baraúna, foi preso pela Polícia Federal. Ele teria recebido R$ 5 mil para abrigar os fugitivos por oito dias.














