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Vacina da dengue suspensa: saiba como será a investigação após mortes e casos graves

Imunização foi suspensa preventivamente após três casos graves, incluindo duas mortes sob investigação

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Ministério da Saúde suspendeu a vacinação contra a dengue após reações adversas graves e suspeita de duas mortes relacionadas à vacina do Instituto Butantan.
  • Foram registradas 42 reações adversas severas entre cerca de 500 mil vacinados, com três casos graves, dois deles resultando em óbito.
  • A investigação será conduzida pelo Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan para analisar os casos e identificar possíveis fatores de risco.
  • O Instituto Butantan afirmou que continuará colaborando com as autoridades e destacou a eficácia da vacina em estudos clínicos, apesar da suspensão preventiva.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vacinação foi suspensa até a conclusão das investigações Instituto Butantan/Divulgação

A vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi suspensa pelo Ministério da Saúde após o registro de reações adversas graves e da suspeita de duas mortes associadas à aplicação da vacina. Durante coletiva de imprensa na segunda-feira (8), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a imunização permanecerá interrompida até a conclusão das investigações necessárias para avaliar uma possível relação causal entre os casos e a vacina. Até então, a campanha estava concentrada em profissionais da atenção primária à saúde.

Segundo dados apresentados pela pasta, foram registradas 42 reações adversas severas entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Desse total, três casos foram classificados como graves e, entre eles, dois evoluíram para óbito.


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para auxiliar na investigação epidemiológica dos casos.

Padilha explicou que a apuração será conduzida de forma conjunta pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo Instituto Butantan. O objetivo é analisar detalhadamente os 42 episódios de reações severas, identificar possíveis fatores de risco e comparar os casos com pessoas vacinadas no mesmo período que não apresentaram complicações.


“Vamos investigar possíveis fatores associados, incluindo condições individuais, características dos lotes, cadeia de frio, logística de distribuição e procedimentos de aplicação da vacina”, afirmou o ministro.

Segundo ele, as pessoas que receberam o imunizante passarão por monitoramento reforçado. “Vamos investigar episódios de reações severas e aprofundar a investigação desses três casos graves, em especial os dois que evoluíram para óbito. Até o momento, não existem informações que permitam estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e essas mortes”, declarou Padilha.


A partir desta terça-feira (9), o Ministério da Saúde dará início ao monitoramento ativo da rede hospitalar para identificar casos de dengue entre pessoas vacinadas recentemente, além de ocorrências com sinais de alarme, óbitos e possíveis aglomerados relacionados a lotes, unidades de saúde ou territórios específicos. A vigilância terá atenção especial aos indivíduos imunizados há até 21 dias.

As autoridades de saúde orientam que pessoas vacinadas procurem atendimento médico caso apresentem febre acompanhada de dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos espontâneos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.


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Casos graves

Nos três casos classificados como graves, os pacientes desenvolveram sintomas compatíveis com dengue grave em um intervalo de até três semanas após a vacinação.

O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas se recuperou e recebeu alta.

O segundo caso foi o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu dengue grave com comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.

O terceiro caso envolve um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. O quadro evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário, levando ao óbito.

Butantan defende segurança da vacina

O Instituto Butantan se manifestou por meio de nota após a suspensão preventiva da vacinação.

“Seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será temporariamente interrompida, de forma preventiva, para reavaliação da estratégia vacinal”, informou a instituição.

Segundo o instituto, a decisão foi tomada após a identificação de alguns eventos adversos, três deles com sinais de gravidade, entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas.

“A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação”, destacou.

O Butantan afirmou ainda que continuará colaborando com as autoridades sanitárias para esclarecer os casos e acompanhar a segurança do imunizante.

Na nota, a instituição ressaltou que estudos clínicos apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença. Também destacou que o monitoramento realizado nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde houve vacinação em massa, não identificou eventos adversos relevantes.

“O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para o enfrentamento de problemas de saúde pública no Brasil e seguirá trabalhando para aprofundar as informações sobre o uso da vacina, de modo que, uma vez confirmada sua segurança, a vacinação possa ser retomada”, concluiu.

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